Caboclo desiste da corrida pela presidência do São Paulo e abre caminho para nova disputa
Em uma reviravolta que agitou o cenário político do São Paulo Futebol Clube, Rogério Caboclo anunciou neste sábado que não vai mais concorrer à presidência do clube. A decisão, divulgada em carta aberta, chega apenas cinco dias depois de ele ter confirmado sua intenção de disputar o cargo. A eleição, que vai escolher o presidente para o triênio 2027-2029, está marcada para a primeira quinzena de dezembro.
Caboclo, que tem histórico de gestão à frente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) entre 2019 e 2021, era um nome contestado. Ele foi afastado da entidade após denúncias de assédio moral e sexual feitas por funcionárias, sendo inocentado em 2023. Apesar da absolvição, o peso das acusações ainda ecoava nos bastidores do Morumbi.
Na carta, Caboclo afirma que a decisão nasce da compreensão de que a unidade da oposição deve estar acima de qualquer projeto individual. Ele também agradece o apoio recebido e garante que continuará ativo nas discussões sobre o futuro do clube. O ex-dirigente tinha o respaldo de Olten Ayres de Abreu Jr, presidente do Conselho e principal adversário do atual mandatário, Harry Massis.
Massis assumiu o comando do Tricolor após o impeachment de Julio Casares, em janeiro de 2026. A gestão conturbada abre espaço para uma oposição que busca se reorganizar. Com a desistência de Caboclo, o nome da oposição deve ser Marcelo Portugal Gouvêa, o Marcelinho, filho do ex-presidente Marcelo Portugal Gouvêa, que comandou o clube entre 2002 e 2006. Pela situação, o favorito é Adilson Alves Martins, ex-diretor financeiro e aliado de Casares.
A disputa promete ser acirrada, com dois perfis bem distintos. De um lado, a herança política de uma família tradicional. Do outro, a continuidade de um grupo que já esteve no poder. E no meio, a torcida são-paulina, cansada de tanta instabilidade e cobrando resultados dentro e fora de campo.
A carta de Caboclo, endereçada a conselheiros, sócios, torcedores e apoiadores, termina com uma mensagem de compromisso: “Mais do que uma candidatura, permanece um compromisso. E esse compromisso é com o São Paulo Futebol Clube.”
Resta saber se a oposição vai conseguir se unir em torno de um nome forte o suficiente para enfrentar a situação. A torcida, como sempre, espera que o clube saia fortalecido dessa disputa.
O que pesou na decisão de Caboclo?
Caboclo não citou diretamente as denúncias que marcaram sua passagem pela CBF, mas o contexto pesa. Apesar de ter sido inocentado, o caso deixou marcas. Em um clube com a visibilidade do São Paulo, a oposição precisava de um nome que unisse forças, não que dividisse ainda mais.
O ex-dirigente, que se apresenta como sócio e conselheiro vitalício, tenta agora se posicionar como uma figura de consenso. Mas a realidade é que sua desistência abre um vácuo de liderança que precisa ser preenchido rapidamente.
Quem são os novos favoritos na disputa?
Pela oposição, Marcelinho Portugal Gouvêa surge como o nome natural. Herdeiro político, ele carrega o sobrenome de um presidente que marcou época. Mas será que isso basta? A torcida quer mais do que tradição; quer competência e transparência.
Pela situação, Adilson Alves Martins representa a continuidade de um grupo que já teve poder. Sua experiência como diretor financeiro pode ser um trunfo, mas também o liga a um passado recente que a torcida vê com desconfiança.
O que esperar da eleição de dezembro?
A eleição de dezembro promete ser um termômetro do humor do são-paulino. A gestão Massis começa desgastada, e a oposição precisa capitalizar essa insatisfação. Mas, para isso, precisa apresentar um projeto claro e um nome que inspire confiança.
O São Paulo, que já foi referência em gestão e conquistas, vive um momento de reconstrução. A torcida, apaixonada e exigente, não aceita menos do que compromisso e seriedade. A bola está com os candidatos.