IA no cinema chega a Porto Alegre com festival internacional que discute o futuro da criação
Porto Alegre vai sediar, no próximo sábado (3 de outubro), uma das discussões mais importantes da cultura contemporânea: o uso da inteligência artificial (IA) na criação audiovisual. O festival OMNI Brasil AUSTRAL, que acontece no Instituto Ling, traz para a América Latina um debate que já mobiliza cineastas do mundo inteiro.
O evento é uma extensão do OMNI International AI Film Festival, criado em Sydney, na Austrália, em 2024, e que desde então se tornou a principal plataforma global de cinema nativo feito com IA. A edição brasileira é apresentada pela Escala, uma das agências de publicidade mais tradicionais e premiadas do sul do país.
O festival chega com uma seleção de curtas-metragens premiados, escolhidos entre 8,4 mil submissões de 105 países, incluindo produções de criadores brasileiros. O júri internacional já contou com nomes como George Miller (Mad Max) e Alex Proyas (Eu, Robô).
Para Beto Lopes, sócio e diretor executivo de criação da Escala, o evento coloca uma pergunta central: o que fazer com as novas possibilidades que a IA abre? Ele defende que a tecnologia deve estar próxima de ideias, repertório, autoria e criatividade, e que o Brasil precisa participar dessa conversa.
“A inteligência artificial está ampliando o que é possível criar, mas a discussão mais relevante começa depois da ferramenta: o que fazer com essas novas possibilidades? O OMNI coloca essa pergunta no centro, aproximando tecnologia de ideias, repertório, autoria e criatividade. Para a Escala, estar próxima dessa discussão faz todo sentido: é uma oportunidade de acompanhar o que está sendo criado no mundo, colocar a criatividade brasileira nessa conversa e, principalmente, contribuir para a construção do que vem depois.”
Programação: cinema, linguagem e desafios jurídicos
O OMNI Brasil AUSTRAL será realizado em formato imersivo no sábado, 3 de outubro, das 14h às 19h30, no Instituto Ling. A programação intercala blocos de exibição de curtas-metragens globais com palestras e painéis de debate. Entre os destaques:
- Blocos de Exibição: seleção de curtas do acervo global do OMNI, incluindo mostras premiadas como Visions of Tomorrow, Iterations, Hyperphantasia, OMNI Shanghai & Sounds, com obras de cineastas internacionais e brasileiros.
- Palestra Jurídica – Além dos créditos: a advogada Camila Galvão (fundadora da Galbot.Co e mestra pela PUCRS) abordará os desafios regulatórios do cinema com IA, como direitos autorais, uso de imagem, voz e responsabilidade.
- Palestra de Linguagem – Tempos Modernos: o diretor de cena Lucas Fogs (com mais de 10 anos de experiência em publicidade) discutirá como a IA generativa resgata o impacto das novas ferramentas sobre a linguagem narrativa.
- Debates e Networking: as conversas ao vivo serão mediadas por Aryeh Sternberg e Felipe Galvão, encerrando com uma hora dedicada ao networking entre público, palestrantes e realizadores.
A iniciativa conta com o apoio institucional da Associação Rio-Grandense de Propaganda (ARP) e do Sindicato das Agências de Propaganda do RS (Sinapro-RS), unindo as principais entidades do setor no fortalecimento da economia criativa regional.
Quem são os palestrantes do festival de IA em Porto Alegre?
Aryeh Sternberg é cofundador e curador do OMNI International AI Film Festival. Tecnólogo criativo e produtor, atua na interseção entre IA, tecnologias imersivas e narrativa, defendendo uma abordagem centrada na participação humana durante todo o processo criativo.
Camila Galvão é advogada, fundadora da Galbot.Co e sócia do Galvão Advogados Associados. Mestra em Direito pela PUCRS e autora do livro Inteligência Artificial, Discriminação Algorítmica e o Dever de Diligência dos Administradores, dedica sua atuação aos impactos jurídicos e regulatórios da IA.
Lucas Fogs é formado em Realização Audiovisual pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos e atua há mais de 10 anos como diretor de cena em publicidade, com trabalhos para grandes marcas como Brahma, Visa, Zaffari, Caixa e Governo Federal.
Felipe Galvão é diretor criativo baseado em Porto Alegre, com 18 anos de carreira em animação e publicidade. Venceu prêmios como Silver Lion em Cannes, Ouro no Clio e El Ojo de Iberoamérica. É produtor executivo do OMNI Brasil e professor da pós-graduação em Ilustração e Motion Design da PUCRS.
Davi Moori é diretor e criador audiovisual baseado em São Paulo, com atuação em projetos de publicidade e entretenimento desde 2007. Seu trabalho explora narrativas por meio de técnicas mistas, experimentação e linguagens audiovisuais híbridas.
Como participar do OMNI Brasil AUSTRAL
O festival acontece no sábado, 3 de outubro de 2026, das 14h às 19h30, no Instituto Ling (Rua João Caetano, 440 – Três Figueiras, Porto Alegre). Os ingressos estão disponíveis pela plataforma Sympla, clicando aqui. Mais informações: @omni_film_brasil. Classificação indicativa: 14 anos.
Programação completa
- 14h30 – Abertura OMNI Brasil
- 14h50 – OMNI Film Selection – Bloco 1 – Mostra de Filmes
- 15h45 – Palestra: “Para além dos créditos, os desafios jurídicos do cinema feito com IA”, com Camila Galvão
- 16h15 – Coffee break
- 16h30 – OMNI Film Selection – Bloco 2 – Mostra de Filmes
- 17h – Participação de Davi Moori – Diretor de filme em IA – Sinuca de Bico
- 17h15 – Palestra: “Tempos Modernos”, com Lucas Fogs
- 17h45 – OMNI Brazil Painel
- 18h30 – Networking
- 19h30 – Encerramento
Perguntas frequentes sobre o festival de IA no cinema
O que é o OMNI International AI Film Festival?
É um festival criado em Sydney, Austrália, em 2024, dedicado ao cinema nativo feito com inteligência artificial. Desde então, tornou-se a principal plataforma global do gênero, com mais de 8,4 mil submissões de 105 países.
Quem pode participar do evento em Porto Alegre?
O evento é aberto ao público, com classificação indicativa de 14 anos. Os ingressos são vendidos pela plataforma Sympla, e a programação inclui mostras de filmes, palestras e networking.
Quais são os principais debates do festival?
Os debates giram em torno dos desafios jurídicos do cinema com IA, como direitos autorais e uso de imagem, e do impacto da tecnologia na linguagem narrativa, além de discussões sobre autoria e responsabilidade.