Justiça manda Renan Filho apagar vídeo que ligava JHC ao caso Banco Master
Em plena disputa pelo governo de Alagoas, a Justiça Eleitoral deu um golpe na campanha de Renan Filho (MDB). O Tribunal Regional Eleitoral de Alagoas (TRE-AL) determinou, neste domingo (13.set.2026), a retirada de um vídeo em que o candidato afirma que o ex-prefeito de Maceió, JHC (PSDB), é investigado no caso dos investimentos do IPREV no Banco Master. A decisão, assinada pelo relator Leo Dennisson Bezerra de Almeida, aponta que os documentos apresentados não provam a existência de qualquer investigação penal contra JHC.
A disputa está acirrada. Pesquisa AtlasIntel divulgada na quinta-feira (10.set.2026) mostra empate técnico entre os dois em todos os cenários de primeiro e segundo turnos. Nesse clima, cada acusação pesa, mas a Justiça entendeu que Renan Filho passou dos limites.
O que dizia o vídeo de Renan Filho?
Na gravação, Renan Filho afirma que “JHC é investigado no processo IPREV e Banco Master em razão do seu possível envolvimento”. Ele também diz que “a Polícia Federal e o Ministério Público Federal reafirmaram hoje que o JHC é investigado”.
O candidato do MDB ainda questiona o destino dos recursos aplicados pelo instituto. “O JHC tinha dito que não era investigado nesse caso, onde o IPREV de Maceió perdeu R$ 97 milhões dos recursos dos aposentados e dos pensionistas investindo no Banco Master”, declarou. E reforça no fim: “Você é sim investigado. JHC é investigado”.
A referência é à relação do Iprev-Maceió com o Banco Master. A autarquia aplicou R$ 97 milhões no banco em duas operações, em dezembro de 2023 e maio de 2024, durante a gestão de JHC. Segundo a PF, os investimentos em Letras Financeiras contrariaram a política de investimentos do instituto e expuseram o patrimônio do regime próprio em cerca de 20%, quando os limites eram de 0% em 2023 e 5% em 2024 para ativos de emissão bancária.
Por que a Justiça mandou tirar o vídeo?
O relator do TRE-AL entendeu que a publicação de Renan Filho ultrapassou a crítica política. A decisão cita o entendimento do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) de que a liberdade de expressão não protege a divulgação de fatos sabidamente inverídicos que atingem a honra de quem disputa a eleição.
Os documentos do processo não demonstram investigação penal contra JHC. A decisão do STF citada por Renan Filho tratava de medidas cautelares contra alvos individualizados, sem atribuir conduta delitiva ao prefeito. Além disso, uma certidão do Ministério Público Federal, emitida em 2 de setembro de 2026, registra “NADA CONSTA” em relação a JHC.
O tribunal determinou que Renan Filho e a Coligação Pra Alagoas Fazer História de Novo não mantenham nem republiquem o conteúdo. O descumprimento gera multa diária de R$ 10 mil. A Meta também deve retirar o conteúdo em até um dia e informar por quanto tempo a publicação ficou no ar, sob a mesma multa.
O pedido de direito de resposta imediato não foi concedido neste momento. A análise ficou para depois do contraditório. Renan Filho e a coligação têm um dia para apresentar defesa, e a Procuradoria Regional Eleitoral terá outro dia para parecer.
O que diz a ação popular sobre o IPREV e o Banco Master?
Em 1º de julho, a Justiça de Alagoas já havia decidido sobre os investimentos do Iprev no Banco Master, em uma ação popular movida por José Renan Vasconcelos Calheiros contra o Município de Maceió e outros réus. A ação questiona os investimentos da autarquia no banco, que depois entrou em liquidação extrajudicial.
Na ação, foi pedido o bloqueio de bens dos réus até o limite de R$ 117 milhões para garantir eventual ressarcimento aos cofres públicos. JHC e o Município de Maceió contestaram e alegaram não ter legitimidade para figurar como réus.
O juiz Leo Dennisson Bezerra de Almeida acolheu os argumentos e excluiu JHC e o Município de Maceió do polo passivo. A decisão afirma que a condição de prefeito, por si só, não permite responsabilizá-lo pessoalmente por atos do Iprev, que tem personalidade jurídica e autonomia administrativa, financeira, orçamentária e patrimonial próprias. A petição inicial também não individualizou nenhuma conduta de JHC relacionada aos investimentos, nem apontou ato específico, determinação ou ingerência dele na política de investimentos da autarquia.
O prejuízo ainda não foi definido
O juiz também negou o bloqueio de até R$ 117 milhões. Segundo a decisão, ainda há procedimentos federais relacionados à liquidação do Banco Master, e é juridicamente possível que o Iprev recupere parte ou a totalidade dos valores investidos. Por isso, não seria possível afirmar, naquele momento, a existência de dano efetivo ao patrimônio público ou medir sua extensão.
A decisão ressalta que a liquidação extrajudicial do banco não significa automaticamente perda definitiva. Os créditos dos investimentos continuam no ativo da autarquia, e a recuperação dos valores depende do resultado do processo de liquidação. A ação segue em relação aos demais réus.
Enquanto isso, o povo de Alagoas acompanha de perto: são R$ 97 milhões de recursos dos aposentados e pensionistas em jogo, e a Justiça segue como arena central dessa disputa.