Líderes da União Europeia reafirmaram nesta sexta-feira (16) o compromisso com o apoio militar e financeiro à Ucrânia, durante cúpula em Bruxelas com o presidente Volodymyr Zelensky. O gesto de solidariedade chega em um momento delicado: Donald Trump voltou a atacar publicamente o líder ucraniano e o acordo informal que o americano fechou com Vladimir Putin pressionou ainda mais o país invadido.
Segundo reportagem do Terra, Zelensky participou das reuniões do Conselho Europeu nesta quinta e sexta-feira em meio à retomada dos ataques russos contra instalações energéticas em Kiev. A presença do presidente ucraniano nos encontros do bloco é frequente desde o início da guerra, mas desta vez ele precisa dos europeus mais do que nunca, com a relação com Washington novamente deteriorada.
Trump chama ataques ucranianos de 'vergonha' e elogia Putin
Em entrevista à emissora Newsmax, Trump classificou a retomada dos bombardeios ucranianos contra refinarias russas como uma 'vergonha' e afirmou que os ataques contribuem para a alta dos preços globais da energia. Para o presidente americano, 'é mais difícil' negociar com Zelensky do que com Putin.
'Zelensky não é a pessoa certa para chegarmos a um acordo', concluiu Trump.
A fala do republicano escancara o que movimentos pela paz e observadores internacionais já apontavam: a política externa de Washington oscila entre a pressão sobre a vítima da invasão e a condescilência com o agressor. O acordo fechado na semana passada entre Trump e Putin sobre o fornecimento de diesel, sem participação ucraniana, irritou Kiev e reforçou a desconfiança de que os EUA tratam a guerra como negócio, e não como questão de soberania de um povo.
Na quarta-feira, a Rússia voltou a atacar instalações energéticas na capital ucraniana. Em resposta, a Ucrânia anunciou a retomada dos bombardeios contra refinarias russas. Moscou informou que uma de suas refinarias pegou fogo após um 'ataque maciço' de drones e mísseis ucranianos.
Europa promete: 'Você pode contar conosco'
Em Bruxelas, Zelensky se reuniu com o secretário-geral da Otan e com líderes europeus, entre eles o presidente francês, Emmanuel Macron. O ucraniano pediu mais sistemas de defesa aérea e mísseis interceptadores diante da intensificação dos bombardeios russos contra cidades civis.
'Você pode contar conosco', declarou o presidente do Conselho Europeu, António Costa.
Já a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, foi direta sobre as sanções econômicas contra Moscou: 'não suspenderemos nenhuma sanção enquanto a Rússia não encerrar a guerra'.
Ao fim do encontro com Zelensky na quinta-feira (15), Macron afirmou ser 'essencial' manter o apoio à Ucrânia. A mensagem foi reforçada nesta sexta pelos principais dirigentes da União Europeia.
Quanto a Europa já destinou à Ucrânia?
No ano passado, a União Europeia aprovou € 90 bilhões (cerca de R$ 576 bilhões) em ajuda para um período de dois anos. O montante, porém, já parece insuficiente diante da escalada dos ataques russos contra infraestrutura civil e energética.
Resta agora saber o que os europeus poderão fazer na prática para ampliar o pacote. A guerra, que já dura anos, expõe de forma cruel o custo humano de um conflito que poderia ter sido contido com pressão internacional firme sobre o Kremlin desde o início.
Limitações tecnológicas: a questão da Starlink
A capacidade de apoio da UE esbarra também em limitações tecnológicas. A chefe da diplomacia do bloco, Kaja Kallas, reconheceu que a Europa não tem condições de substituir, no curto prazo, a rede de satélites Starlink, considerada essencial para as comunicações e operações militares ucranianas.
'A Starlink é realmente indispensável para a Ucrânia e, infelizmente, a Europa não pode substituir essa capacidade no curto prazo', afirmou Kallas durante a cúpula em Bruxelas.
A declaração ocorre após Kiev denunciar restrições dos Estados Unidos ao acesso à tecnologia da Starlink e ao compartilhamento de informações de inteligência. Segundo autoridades ucranianas, essas limitações afetam especialmente as operações com drones, peça-chave na resistência contra a Rússia. A dependência de uma rede privada controlada por um magnata alinhado à direita americana coloca em xeque a soberania tecnológica não apenas da Ucrânia, mas da própria Europa, tema que já aparece em debates sobre como o risco geopolítico se tornou fator permanente nas cadeias produtivas globais.
Ataque russo mata três em Kharkiv
Enquanto os dirigentes europeus discutiam o reforço da ajuda a Kiev, um ataque com drone russo contra Kharkiv, segunda maior cidade da Ucrânia, deixou três mortos e pelo menos cinco feridos, segundo informou o governador regional, Oleh Synegubov. Equipes de resgate foram mobilizadas para atender as vítimas.
Os números lembram que, para além das cúpulas e das disputas entre Trump, Zelensky e Putin, quem paga a conta da guerra são famílias que perdem casas, energia e entes queridos. O apoio europeu segue firme no discurso; a prova, agora, virá nos fatos.
Perguntas frequentes
O que Trump disse sobre Zelensky em outubro de 2026?
Em entrevista à Newsmax, Trump chamou de 'vergonha' os ataques ucranianos contra refinarias russas e afirmou que 'Zelensky não é a pessoa certa para chegarmos a um acordo'.
Quanto a União Europeia já destinou de ajuda à Ucrânia?
No ano passado, o bloco aprovou € 90 bilhões (cerca de R$ 576 bilhões) em ajuda para um período de dois anos, valor que já é considerado insuficiente.
A Europa pode substituir a Starlink na Ucrânia?
Não no curto prazo, segundo a chefe da diplomacia da UE, Kaja Kallas, que reconheceu que a rede de satélites é indispensável para as operações militares ucranianas.
O que aconteceu em Kharkiv durante a cúpula da UE?
Um ataque com drone russo contra a cidade deixou três mortos e pelo menos cinco feridos, segundo o governador regional Oleh Synegubov.
