Trump entrega urânio aos sauditas: acordo nuclear esconde ameaça à paz mundial?
Enquanto o povo brasileiro luta por direitos básicos como saúde e educação, o governo Trump, aliado da extrema direita global, anuncia um acordo nuclear com a Arábia Saudita que pode colocar fogo no Oriente Médio. O pacto, assinado nesta quinta-feira (23), promete um programa nuclear “pacífico” para o reino árabe, mas especialistas e ativistas denunciam: é mais um capítulo da hipocrisia imperialista que só beneficia bilionários e militares.
O que diz o acordo entre EUA e Arábia Saudita?
O secretário de Estado americano, Marco Rubio, declarou que a Arábia Saudita é um “parceiro estratégico importante” e que faz sentido firmar um acordo nuclear com o país. Na véspera, os dois governos anunciaram um pacto para estabelecer um projeto de desenvolvimento atômico no reino do Golfo, com supostas “salvaguardas” para evitar a proliferação nuclear. Mas a história mostra que promessas de paz em acordos nucleares muitas vezes escondem a corrida armamentista.
“Basta dizer que os Estados Unidos estão sempre em busca de acordos de cooperação com aliados”, disse Rubio, em Manila, nas Filipinas, durante a conferência da Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean). “No caso da Arábia Saudita, eles têm sido um importante parceiro estratégico para nós. Faria sentido firmarmos tal acordo.”
Ele ainda afirmou que a nação árabe “busca ter um programa nuclear civil para fins pacíficos”. Mas a pergunta que não quer calar: quem acredita nisso, quando o próprio Trump está travando uma guerra contra o Irã justamente por causa do programa nuclear iraniano?
Guerra e hipocrisia: o que está por trás do acordo nuclear?
O acordo ocorre enquanto os Estados Unidos, sob a presidência de Donald Trump, travam uma guerra contra o Irã, iniciada em grande parte devido às preocupações com o programa nuclear da nação persa. As negociações de paz estão estagnadas, e o governo americano agora corre para entregar tecnologia nuclear a um aliado que, como o Irã, defende seu direito de desenvolver armas atômicas.
Dois acordos foram assinados pelo secretário de Energia dos EUA, Chris Wright, e pelo príncipe Abdulaziz bin Salman: um sobre “cooperação nuclear para fins pacíficos” e outro sobre “salvaguardas bilaterais”. O Departamento de Energia americano afirma que eles “estabelecem a base jurídica para uma parceria de várias décadas e de bilhões de dólares”.
Mas a imprensa internacional, como o The Wall Street Journal, revelou que uma cláusula do acordo pode permitir que empresas americanas construam uma usina de enriquecimento de urânio na Arábia Saudita. O comunicado oficial não menciona isso, e o Departamento de Energia se recusou a comentar. Enquanto isso, o Congresso americano, controlado pelos republicanos, deve aprovar o pacto sem grandes obstáculos.
Quem ganha e quem perde com esse acordo?
Para Jennifer Gordon, diretora da Iniciativa de Política de Energia Nuclear do think tank Atlantic Council, o acordo é uma “vitória para os Estados Unidos diante da Rússia e da China”. Ela afirmou à AFP que “a Arábia Saudita deixou claro que comprará tecnologias de energia nuclear; a única questão era se optaria por trabalhar com os EUA ou com a Rússia ou a China”.
Ou seja, o que está em jogo não é a paz mundial, mas a disputa imperialista por mercados e influência. Enquanto isso, o povo saudita, que vive sob uma monarquia absolutista que viola direitos humanos diariamente, não tem voz nessa decisão. E o povo iraniano sofre com bombardeios e sanções, enquanto os EUA armam seus aliados.
Israel e a oposição ao programa nuclear saudita
Parlamentares americanos e autoridades israelenses se opõem a um programa nuclear civil para a Arábia Saudita por medo de que ele leve ao desenvolvimento de armas nucleares. Israel, que possui o maior arsenal nuclear do Oriente Médio, não quer concorrência. A Arábia Saudita, por sua vez, já assinou um pacto de defesa mútua com o Paquistão, outra potência nuclear.
Nos últimos anos, Washington tentou integrar qualquer acordo nuclear a uma estratégia mais ampla, que incluiria a normalização das relações entre Arábia Saudita e Israel, junto com um pacto de defesa com os EUA. Mas, para os movimentos sociais e antiguerra, isso é apenas mais uma tentativa de consolidar o domínio imperialista na região.
Chris Wright, secretário de Energia americano, minimizou as preocupações: “Podem ter certeza de que esses acordos cumprem os mais elevados padrões de segurança nuclear e de não proliferação”. Mas, em 2009, os EUA já haviam firmado um acordo nuclear com os Emirados Árabes Unidos, que não enriquece seu próprio urânio. Agora, a Arábia Saudita quer o direito de enriquecer, o que abre a porta para a produção de armas.
O que isso significa para o Brasil e o mundo?
Enquanto o governo Lula defende a paz e a soberania nacional, a extrema direita global, representada por Trump e seus aliados, acelera a corrida armamentista. O Brasil, que tem um programa nuclear pacífico e é signatário do Tratado de Não Proliferação Nuclear (TNP), deve ficar atento: o que acontece no Oriente Médio pode afetar o equilíbrio global e a segurança de todos os povos.
O acordo nuclear entre EUA e Arábia Saudita é mais um exemplo de como as grandes potências usam o discurso da “paz” para justificar seus interesses econômicos e militares. Enquanto isso, os trabalhadores e as populações mais vulneráveis continuam pagando o preço da guerra e da desigualdade.
Perguntas frequentes sobre o acordo nuclear EUA-Arábia Saudita
O acordo nuclear entre EUA e Arábia Saudita é realmente pacífico?
O governo Trump afirma que sim, mas a cláusula que permite o enriquecimento de urânio em solo saudita levanta suspeitas. Especialistas e ativistas temem que o programa possa ser usado para desenvolver armas nucleares, como já aconteceu com outros países.
Por que Israel se opõe ao programa nuclear saudita?
Israel, que possui armas nucleares não declaradas, teme que a Arábia Saudita se torne uma potência nuclear rival na região. A oposição israelense é uma das principais barreiras ao acordo.
Como o Brasil se posiciona em relação a esse acordo?
O Brasil, sob o governo Lula, defende o desarmamento nuclear e a não proliferação. O país tem um programa nuclear pacífico e é signatário do TNP, mas deve monitorar de perto os desdobramentos desse acordo, que pode aumentar as tensões globais.