A redenção de Beckham: do ódio na Copa de 98 ao abraço em Messi
Quando a Inglaterra e a Argentina entrarem em campo nesta quarta-feira (15) pela semifinal da Copa do Mundo, um nome pairará sobre o gramado como uma sombra que virou luz: David Beckham. O ex-camisa 7, hoje um dos donos do Inter Miami, carrega uma história que mistura dor, vingança e redenção. Uma história que o povo brasileiro, que conhece bem o peso do futebol na alma, pode entender como poucos.
Em 30 de junho de 1998, em Marselha, um jovem Beckham de 23 anos cometeu o que chamou de “um erro estúpido”. Um pontapé em Diego Simeone, uma expulsão, e a Inglaterra eliminada da Copa. O país inteiro virou as costas para ele. “O país inteiro me odiava. Realmente me odiava”, revelou no documentário da Netflix. Victoria Beckham, sua esposa, foi ainda mais dura: “Ele ficou quebrado, despedaçado. Teve depressão de verdade”.
Foram quatro anos de inferno. Vaiado em todos os estádios, cuspido por torcedores, perseguido por paparazzi que perguntavam como era decepcionar a pátria. Beckham não comia, não dormia. “Estava um caco, sem saber o que fazer”, contou. Apoiado só pelos mais próximos, ele sobreviveu.
A virada em 2002: o pênalti que calou os algozes
A revanche veio na Copa de 2002, na fase de grupos. Inglaterra e Argentina de novo, e Beckham, de pênalti, fez o único gol da vitória por 1 a 0. Um resultado que eliminou os argentinos de Marcelo Bielsa e deu aos ingleses a passagem de fase. “Foi uma revanche saborosa”, como definem os cronistas. A Inglaterra caiu nas quartas para o Brasil, de virada, no gol polêmico de Ronaldinho Gaúcho. Mas Beckham já tinha provado que podia renascer.
Messi: a negociação que durou cinco anos
Anos depois, Beckham trocou o campo pelos negócios. Em 2007, quando foi jogar nos Estados Unidos, garantiu o direito de comprar uma franquia da MLS por US$ 25 milhões. Nasceu o Inter Miami, em parceria com empresários locais. Mas faltava algo para colocar o clube no mapa. Algo chamado Lionel Messi.
A negociação começou em 2018, cinco anos antes do anúncio oficial. “Um dos meus sócios entrou escondido em um hotel para encontrar o pai do Leo”, contou Beckham. “Eu disse: ‘Olha, eu sei que o Leo não está pronto agora, mas quero que o seu filho jogue pelo meu clube no futuro’.”
Em 7 de junho de 2023, o sonho virou realidade. Beckham estava no Japão, de madrugada, quando o celular vibrou sem parar. “Eram quatro ou cinco da manhã. A Victoria me cutucou: ‘Desliga o telefone’. Coloquei os óculos e vi que o Leo Messi tinha decidido vir para o Miami. Sentei na cama e comecei a chorar”, relembrou, emocionado.
O jogo que une e separa
Hoje, Messi lidera a Argentina em busca de um bicampeonato mundial que não acontece desde o Brasil de 1958 e 1962. Beckham, da arquibancada, torce pela Inglaterra, que tenta voltar a uma final depois de 1966. Uma espera muito maior do que os quatro anos pela revanche contra o rival, ou os cinco anos que durou a negociação por uma contratação. O futebol, mais uma vez, escreve uma história de superação.
Perguntas frequentes
Por que Beckham foi odiado na Inglaterra?
Porque ele foi expulso na Copa de 1998 contra a Argentina, um erro que muitos culparam pela eliminação da seleção inglesa. A imprensa e os torcedores o transformaram em vilão nacional.
Como Beckham se redimiu?
Quatro anos depois, na Copa de 2002, ele marcou de pênalti o gol da vitória sobre a Argentina, garantindo a classificação inglesa e calando os críticos.
Quanto tempo levou para contratar Messi?
Foram cinco anos de negociações, que começaram em 2018, quando um dos sócios de Beckham se encontrou em segredo com o pai de Messi. O anúncio oficial foi em junho de 2023.
Qual o significado desse jogo para Beckham hoje?
É um reencontro com o passado. Beckham, agora como dirigente, torce pela Inglaterra, enquanto Messi, seu principal jogador, defende a Argentina. Uma história de ciclos que se fecham.