Ácido úrico alto: feijão, banana e arroz não são vilões, dizem especialistas
Descobrir que o ácido úrico está elevado costuma gerar pânico e uma enxurrada de listas de alimentos proibidos. Mas a ciência mostra que o caminho não é cortar tudo, e sim equilibrar o prato. Feijão, arroz, banana e maçã, alimentos que sustentam milhões de mesas brasileiras, não precisam ser descartados. O problema real está nas vísceras, carnes vermelhas, frutos do mar, álcool e bebidas açucaradas, fontes concentradas de purinas e frutose que aumentam o risco de gota.
Uma análise de estudos publicada em 2025 confirmou o que muitos já suspeitavam: o consumo excessivo de álcool, carne vermelha, frutos do mar e frutose está associado a um risco maior de hiperuricemia e gota. Mas isso não significa que a dieta precise virar um campo minado.
Feijão aumenta o ácido úrico? Entenda por que ele pode ficar no prato
O feijão contém purinas, é verdade. Mas as purinas de origem vegetal não têm o mesmo impacto negativo que as de origem animal. A evidência disponível não mostra que vegetais ricos em purinas, como feijão, lentilha e ervilha, aumentem o risco de gota da mesma forma que carnes e frutos do mar.
Além disso, o feijão é fonte de fibras, proteínas e nutrientes essenciais, especialmente para quem depende dele como base da alimentação diária. Retirá-lo do cardápio seria um erro nutricional e um golpe na cultura alimentar brasileira.
Frango e peixe podem ser consumidos com moderação
Não é preciso abrir mão de frango e peixe. Alguns peixes, como sardinha, anchova, arenque e cavala, concentram mais purinas e merecem atenção. Mas isso não significa que todo peixe deva sair do prato.
O frango também contém purinas, mas pode fazer parte da rotina desde que com equilíbrio. A questão não é eliminar, e sim controlar porções e frequência, sempre olhando para o conjunto da alimentação.
Banana, arroz e maçã aumentam o ácido úrico?
Não. Não há motivo científico para retirar banana, maçã ou arroz da dieta por causa do ácido úrico. Esses alimentos podem e devem continuar na rotina. A preocupação maior está no excesso de bebidas açucaradas e em determinados alimentos de origem animal, não em frutas e cereais básicos.
Transformar alimentos comuns em vilões sem necessidade só dificulta o tratamento e empobrece a dieta. O foco deve ser o padrão alimentar como um todo.
O que comer com mais frequência para controlar o ácido úrico?
Em vez de montar uma dieta baseada no que cortar, vale priorizar verduras, legumes, frutas, cereais, leguminosas e fontes adequadas de proteína. Laticínios com menor teor de gordura também podem entrar na rotina.
Quando existe excesso de peso, uma perda gradual e sustentável traz benefícios para o controle metabólico e para a gota. A hidratação adequada também ajuda, embora beber mais água, sozinho, não resolva o problema.
Dieta substitui o tratamento médico?
Não. A alimentação ajuda no controle, mas não substitui o tratamento da gota quando ele é necessário. Nem toda pessoa com ácido úrico elevado desenvolve a doença, e a necessidade de medicamentos depende da avaliação individual e do histórico clínico.
O caminho é simples: equilíbrio, informação e acompanhamento profissional. Nada de pânico, nada de listas intermináveis de proibições. A comida brasileira, com feijão, arroz e banana, pode e deve continuar na mesa.