Na noite desta terça-feira (6), um temporal de proporções históricas atingiu Rio das Flores, no Sul Fluminense, deixando um rastro de destruição. O córrego Manuel Pereira transbordou, ruas viraram rios e 104 pessoas perderam suas casas, ainda que temporariamente. Enquanto a Prefeitura corre para atender os atingidos, a população cobra respostas e soluções para um problema que se repete: a falta de infraestrutura diante das mudanças climáticas.
O que aconteceu em Rio das Flores?
O temporal começou por volta das 19h e atingiu várias localidades do município. O distrito de Taboas foi o mais castigado, com 97 milímetros de chuva em apenas duas horas, segundo a Defesa Civil. Na região urbana, foram 70 milímetros em cerca de quatro horas. O córrego Manuel Pereira subiu rapidamente, chegando a 3,72 metros, bem acima do nível considerado normal, de 2,95 metros.
A força da água não poupou nada. No bairro Saudade, uma ponte de uma estrada vicinal foi arrastada, isolando moradores da zona rural. Dentro das casas, famílias perderam móveis, eletrodomésticos e lembranças. Moradores relatam que os estragos estão entre os maiores das últimas décadas na cidade.
Quem são as vítimas e como estão sendo atendidas?
Segundo a Prefeitura, 80 pessoas estão desabrigadas e 24 desalojadas. São trabalhadores, pequenos agricultores e famílias que já viviam em situação de vulnerabilidade. A Secretaria Municipal de Assistência Social montou uma campanha de arrecadação de donativos, incluindo colchões, roupas de cama, travesseiros, toalhas, produtos de higiene e materiais de limpeza.
“Perdemos tudo, mas não perdemos a esperança. A gente só quer recomeçar”, disse uma moradora do bairro Saudade, que preferiu não se identificar.
As doações podem ser entregues no CRAS de Manuel Duarte, no CRAS de Taboas e no Galpão do Café, em Rio das Flores. A Defesa Civil Municipal também está disponível pelo WhatsApp (24) 99880-2504 para emergências.
O poder público está fazendo o suficiente?
A Prefeitura suspendeu as aulas da rede pública municipal e montou um Gabinete de Crise na sede da administração, reunindo Defesa Civil, Procuradoria, secretarias, órgãos estaduais e o Corpo de Bombeiros. O prefeito Rodrigo Cibalena acompanhou as equipes e afirmou que a prioridade é garantir assistência aos moradores.
No entanto, a situação expõe um problema estrutural. A tenente-coronel Giselle Bonfim, o secretário de Estado de Defesa Civil e comandante-geral do CBMERJ, coronel BM Tarciso Antônio, e o coronel do CBMERJ Valério Jannuzzi estiveram no município para avaliar os danos. Mas a população sabe que, sem investimentos em prevenção e em infraestrutura, a próxima chuva forte trará o mesmo caos.
O que a população pode fazer para ajudar?
Além das doações, a solidariedade é fundamental. A campanha da Secretaria de Assistência Social precisa de itens como rodos, vassouras, cloro, água sanitária, desinfetante, detergente, buchas e sacos de lixo. Quentinhas também estão sendo distribuídas aos afetados.
Em momentos como este, a união entre vizinhos e comunidades é o que faz a diferença. Mas é preciso cobrar das autoridades ações concretas para que tragédias como essa não se repitam. Rio das Flores não pode ser esquecida.
