Tempestade no RS deixa rastro de destruição: 114 cidades afetadas e uma morte
O Rio Grande do Sul foi castigado por um temporal violento na quinta-feira (6), e os números da tragédia só aumentam. A Defesa Civil do Estado atualizou, nesta sexta (7), o balanço de danos: já são 114 municípios que reportaram estragos, com 2.306 pessoas desalojadas. Uma vida foi perdida, cinco pessoas ficaram feridas, e o pior é que a crise climática não dá trégua para o povo gaúcho.
Em entrevista coletiva, a tenente-coronel Ana Maria Hermes, diretora do Departamento de Gestão de Riscos da Defesa Civil, foi clara: os dados ainda estão sendo consolidados. Muitas localidades seguem sem acesso à internet ou iluminação, o que dificulta o levantamento completo dos danos. É a realidade cruel de quem vive nas periferias e zonas rurais, onde o Estado chega tarde e mal.
“É importante dizer que esses dados continuarão sendo consolidados. Nós ainda temos muitas localidades que estão sem acesso ou sinal de internet, sem iluminação”, destacou a tenente-coronel.
Feridos e hospitalizados: o drama de quem sobreviveu
Dos cinco feridos, dois continuam internados. Um deles é o motociclista que ficou preso a fios soltos de energia em Novo Hamburgo, no Vale do Sinos. O outro é uma das três pessoas que sofreram ferimentos após a queda da estrutura de uma feira em Dom Feliciano, no sul do Estado. Os demais já receberam alta e voltaram para casa, mas o trauma fica.
A única morte confirmada até agora foi a de um motociclista em Montenegro, no Vale do Caí. Ele foi atingido por uma árvore que caiu sobre a RS-124. Mais uma vida ceifada pela falta de infraestrutura e pela força implacável da natureza, que o sistema insiste em ignorar.
O que causou o temporal? A ciência explica
O meteorologista Bruno Teixeira, da Defesa Civil, explicou que o Rio Grande do Sul foi atingido por uma frente fria associada a uma linha de instabilidade, ou seja, um conjunto de tempestades em forma de linha. O ciclone-bomba que se formou no Uruguai foi para o oceano, mas sua frente fria avançou pelo Estado, trazendo ventos intensos.
“O ciclone-bomba se formou no Uruguai e, depois, foi para o oceano. Mas a frente fria associada a esse ciclone se estendeu até o Rio Grande do Sul e avançou pelo Estado. É isso que causou esses eventos de ventos intensos”, explicou Teixeira.
Previsão para os próximos dias: frio e mais riscos
De acordo com o meteorologista, de sexta (7) até terça-feira (12), o Estado terá um período de frio e estabilidade, com exceção da Região Norte, que pode ter chuva e tempestades isoladas no sábado (8). Mas a atenção se volta para os dias 12 e 13 de agosto, quando há possibilidade de retorno da chuva com riscos de acumulados elevados.
Teixeira alertou que a condição vivida pelo Estado em julho, com chuva e vento intensos, granizo e tornado, deve se estender ao longo de setembro, outubro e novembro. É o preço que pagamos por um modelo econômico que destrói o planeta enquanto os mais pobres sofrem na pele.
“No meio da semana que vem, podemos ter um outro evento de precipitação no Estado que estamos monitorando, mas que ainda tem uma certa incerteza exatamente de quais serão os volumes, quais regiões serão afetadas”, esclareceu o meteorologista.
Alertas no celular: uma ferramenta que salva vidas
Na noite de quinta-feira, um “alerta severo” foi enviado para a Capital e Região Metropolitana via Cell Broadcast, tecnologia disponibilizada pelo governo federal. A tenente-coronel Ana Maria Hermes destacou a importância do serviço, mas também fez um apelo: quem não recebeu o alerta deve reportar à Defesa Civil e à operadora de telefonia.
“A resiliência não se constrói em um evento, nem em dois, nem em três. Se constrói na soma desses eventos e nessa conjunção de esforços entre os entes públicos e a nossa comunidade”, afirmou a tenente-coronel.
A ferramenta funciona em aparelhos conectados a redes 4G ou 5G, mas ainda há falhas. A tenente-coronel pediu que os cidadãos informem a operadora para que a equipe entenda se há atraso no recebimento por parte de alguma empresa específica. É mais um exemplo de como a tecnologia pode ser aliada do povo, mas precisa ser acessível a todos, sem deixar ninguém para trás.
O que podemos fazer?
Enquanto o governo Lula tenta reconstruir políticas públicas de proteção social e ambiental, a crise climática avança e expõe as desigualdades. O povo gaúcho precisa de solidariedade, de investimento em infraestrutura e de um Estado que priorize a vida, não o lucro. A luta por justiça climática é também a luta por um Brasil mais justo.
Fonte: GZH