De operário a CEO da Ecoville: a saga para chegar a R$ 160 mi
Cristiano Corrêa, filho de pequenos empresários que enfrentaram as duras realidades do mercado brasileiro, passou pelo Exército, pela indústria e por uma década no setor tabaqueiro antes de se tornar o principal franqueado da Ecoville. Agora, como CEO da rede de produtos de limpeza, ele lidera mais de 300 franquias e quer levar o faturamento de R$ 123,7 milhões, registrado em 2025, para cerca de R$ 160 milhões em 2026. A história, porém, revela tanto a resiliência de quem vem de baixo quanto os muros que separam a maioria dos trabalhadores desse tipo de oportunidade.
De kombi a 300 franquias: como a Ecoville se tornou referência no setor
Fundada em 2007 pelos irmãos Leandro e Leonardo Castelo, a Ecoville nasceu vendendo produtos de limpeza de porta em porta, em kombis. Com o tempo, migrou para o modelo de franquias e se consolidou como uma das principais marcas do segmento no país. Hoje, as unidades estão concentradas principalmente nas regiões Sul e Sudeste, que representam 70% da rede. A distribuição regional reflete, mais uma vez, a desigualdade que marca o Brasil: onde o capital e a infraestrutura se concentram, as oportunidades também se concentram.
Por que um engenheiro decidiu arriscar no empreendedorismo
Natural de Santa Cruz do Sul, no interior do Rio Grande do Sul, Corrêa cresceu acompanhando de perto as dificuldades enfrentadas pela família nos negócios. A experiência marcou.
Eu sempre brincava que fugia do empreendedorismo.Ele serviu ao Exército por quatro anos, formou-se em engenharia mecânica e construiu carreira em grandes empresas, atuando nas áreas de qualidade, planejamento estratégico e logística. Passou mais de uma década em uma indústria do setor de tabaco e depois assumiu posições de gestão na Caloi. A mudança aconteceu em 2016, quando decidiu abrir uma unidade da Ecoville em Itapema, no litoral de Santa Catarina. A operação se tornou a principal franquia da rede por quatro anos consecutivos, e o desempenho chamou a atenção dos fundadores.
A fusão que criou novas oportunidades para franqueados
Em 2018, Corrêa criou a Vertex, empresa especializada em serviços de limpeza e zeladoria de condomínios, que chegou a reunir 70 franqueados. Três anos depois, recebeu o convite para se tornar sócio e assumir a liderança da Ecoville. Uma das primeiras mudanças implementadas por ele foi incorporar o conhecimento adquirido na Vertex. A fusão aconteceu em 2024 e deu origem à Ecoville Facilities, braço de serviços da companhia.
Eu trouxe para dentro da Ecoville tudo o que aprendemos no mercado de serviços. Isso amplia a rentabilidade do franqueado e fortalece a marca.Hoje, as unidades podem comercializar produtos de limpeza doméstica e profissional, prestar serviços, alugar equipamentos e operar lavanderias autônomas. O movimento busca reduzir a dependência da expansão física da rede e aumentar o faturamento das lojas já existentes.
O mercado de piscinas e a busca por novas receitas
A novidade mais recente é o lançamento de uma linha própria para tratamento e limpeza de piscinas. A expectativa é que a nova categoria gere R$ 6 milhões em vendas para a rede até o final de 2026.
Muitos clientes já procuravam produtos para manutenção de piscinas. Percebemos que existia uma oportunidade de complementar o portfólio.A linha inclui produtos para tratamento da água e limpeza do entorno. As formulações pertencem à Ecoville, enquanto a fabricação é realizada por parceiros industriais.
Quem pode mesmo acessar esse modelo de negócio?
O investimento para abrir uma franquia parte de R$ 249 mil, com retorno estimado entre 18 e 24 meses. O valor é inacessível para a esmagadora maioria dos trabalhadores brasileiros, cujo salário médio mal cobre as necessidades básicas. É preciso dizer com clareza: o empreendedorismo, no modelo atual, é um privilégio de quem já tem capital. Políticas públicas de acesso ao crédito, microfranquias populares e programas de fomento cooperativista poderiam democratizar oportunidades como essa. A expansão para a Argentina e o Paraguai, países avaliados para receber a marca, também está nos planos.
Estamos estruturando a operação para dar esse próximo passo. A ideia é levar a Ecoville para outros mercados mantendo o modelo que construímos no Brasil.
Quanto custa para abrir uma franquia da Ecoville?
O investimento inicial parte de R$ 249 mil, com retorno estimado entre 18 e 24 meses, segundo dados da empresa.
Quantas franquias a Ecoville tem atualmente?
A rede conta com mais de 300 unidades em operação, concentradas principalmente nas regiões Sul e Sudeste do Brasil.
Quem é Cristiano Corrêa?
Cristiano Corrêa é o atual CEO da Ecoville. Natural de Santa Cruz do Sul (RS), é engenheiro mecânico, ex-militar do Exército e ex-gestor em empresas como Caloi. Antes de assumir o comando da rede, foi o principal franqueado da marca por quatro anos consecutivos.