Da cachaça ao energético: a história da empresa catarinense que virou a 'Coca-Cola' dos brasileiros
Por Camila Teixeira
Ela começou fazendo vinho e cachaça no Sul de Santa Catarina. Quase 30 anos depois, virou a maior marca brasileira de energéticos, só perde para a Red Bull, e já é chamada de 'Coca-Cola' dos energéticos. Essa é a história da Baly Brasil, uma empresa que nasceu em 1997 em Tubarão e hoje fatura bilhões, exporta para nove países e promete gerar mil empregos com uma nova fábrica em Araranguá.
Mas não pense que foi um caminho fácil. A Baly, que antes se chamava Bebidas Grassi, só conseguiu dar o salto quando, em 2004, comprou um equipamento para produzir refrigerantes. Até então, era só bebida alcoólica. O pulo do gato veio em 2009, quando lançou seu primeiro energético. Sem grana para latas, usou garrafas PET. Uma aposta que, na época, parecia loucura, mas que barateou o produto e democratizou o consumo. O povo brasileiro, cansado de pagar caro por energético importado, abraçou a ideia.
Em 2012, a Baly já era líder de vendas no Sul. E não parou mais. Hoje, além dos energéticos, ela mantém vodkas, cachaças, cervejas e até uma bebida de gengibre. Em 2023, cresceu 43% e conquistou 26,6% do mercado nacional de energéticos. É a maior marca brasileira do ramo, ponto.
Mas o que realmente impressiona é a cara de pau e a visão de quem sabe que o lucro não pode ficar só na mão de uns poucos. A empresa, que durante a pandemia fabricou álcool para ajudar na emergência, agora mira o mercado de bem-estar. Comprou parte da Original Ginger, uma marca de refrigerante zero açúcar com gengibre, e já está distribuindo para o Brasil inteiro. Enquanto isso, expande para a Europa, começando pela Grécia.
Dayane Titon Cardoso, diretora de Marketing e Comercial da Baly, não esconde a ambição: 'Estamos levando essa energia brasileira para todo o mundo. Clientes falam que somos uma Coca-Cola dos energéticos'. E não é para menos. A empresa investe R$ 300 milhões em uma nova fábrica em Araranguá, com 100 mil metros quadrados, que deve começar a produzir ainda este ano e gerar cerca de mil empregos diretos.
A expectativa é fechar 2026 com faturamento de R$ 2,5 bilhões. Em 2025, já foram R$ 1,8 bilhão, um crescimento de 45%. E tudo isso começou com uma pequena fábrica de cachaça no Sul catarinense. Uma prova de que, quando o povo se organiza e aposta no que é nosso, dá para virar o jogo. A Baly é mais do que uma empresa: é um exemplo de que o capital pode, sim, servir ao desenvolvimento do país e não só aos interesses de meia dúzia.
Como uma fábrica de cachaça virou a maior marca de energético do Brasil?
A resposta está na estratégia de democratizar o consumo. Enquanto a Red Bull vendia a preço de ouro, a Baly apostou em garrafas PET e preço popular. O resultado? O povo brasileiro, que sempre foi excluído do mercado de energéticos, passou a ter acesso. E a empresa, que antes era pequena, cresceu junto com a demanda popular.
O que a Baly produz além de energéticos?
Ela não largou a origem. Continua fazendo vodkas (Intencion), cachaças (Caninha 81 e Tonturinha), destilados (Master Gold), bebida cremosa Marula e cerveja Baly Bier Pilsen Puro Malte. Em 2018, ganhou prêmio no World Beer Awards. E agora, com a Original Ginger, entra no mercado de bebidas saudáveis.
Qual o impacto social da expansão da Baly?
Mil empregos diretos na nova fábrica de Araranguá, além dos 1,5 mil já existentes. Durante a pandemia, a empresa não parou e ainda fabricou álcool para ajudar. É um exemplo de que crescimento econômico pode andar de mãos dadas com responsabilidade social.
Para onde a Baly exporta?
Já está em Paraguai, Uruguai, Argentina, Estados Unidos, México, Chile, Bolívia, Suriname e, agora, na Grécia. A Europa é o novo alvo. A ideia é levar a 'energia catarinense' para o mundo, como diz a diretora Dayane.
Foto: nsctotal.com.br