Microsoft engorda meio trilhão em um dia enquanto Brasil sangra
Enquanto o povo brasileiro luta para colocar comida na mesa, a Microsoft engordou quase meio trilhão de dólares em um único dia. A gigante da tecnologia, que vale mais que toda a B3 junta, viu seu valor de mercado disparar US$ 450 bilhões (cerca de R$ 2,5 trilhões) depois de apresentar resultados trimestrais que deixaram os acionistas eufóricos.
Para ter uma ideia do tamanho dessa bolada, o salto equivale a quase metade de tudo que as empresas listadas na bolsa brasileira valem juntas. Dá para comprar a Petrobras quatro vezes. Quatro vezes, meu amigo. Enquanto isso, o Brasil corta gastos sociais e a conta de luz não para de subir.
O que está por trás desse tsunami de dinheiro?
A alta de 15,51% nas ações da Microsoft foi a maior desde outubro de 2008, quando o mundo afundava na crise financeira. Agora, o motor é a inteligência artificial (IA). Os investidores acreditam que a empresa de Bill Gates e Satya Nadella finalmente está transformando promessas tecnológicas em dinheiro vivo.
A divisão de nuvem inteligente, que inclui o Azure, faturou US$ 39,31 bilhões no trimestre, alta de 31,6%. O crescimento do Azure acelerou para 43%, superando os 40% do trimestre anterior. A receita anual da plataforma ultrapassou US$ 100 bilhões pela primeira vez. É a nova mina de ouro do capitalismo digital.
O Microsoft 365 Copilot, assistente de produtividade com IA, já tem mais de 30 milhões de licenças pagas. O GitHub Copilot, ferramenta para programadores, chegou a 50 milhões de usuários. A divisão de produtividade (Office, Dynamics, LinkedIn) cresceu 14,3%, para US$ 37,85 bilhões.
Lucro bilionário, mas a conta quem paga é o trabalhador
A Microsoft registrou receita de US$ 90,01 bilhões no trimestre, 18% acima do ano anterior. O lucro por ação ajustado foi de US$ 4,74, superando as expectativas do mercado. Mas enquanto os acionistas comemoram, a empresa mantém uma agenda agressiva de investimentos: US$ 41 bilhões só no trimestre para ampliar data centers e infraestrutura de IA.
A diretora financeira Amy Hood já avisou que os gastos devem chegar a US$ 175 bilhões no ano fiscal. E para 2027, mais investimentos estão previstos. Enquanto isso, trabalhadores brasileiros são demitidos em massa, a reforma tributária patina e o desemprego não dá trégua.
Os riscos que ninguém quer ver
Nem tudo são flores no mundo da tecnologia. Analistas do Deutsche Bank apontam que a Microsoft está cada vez mais dependente da OpenAI, a criadora do ChatGPT. Cerca de 45% das obrigações comerciais da empresa, algo como US$ 625 bilhões, estão ligadas à parceria com a startup. Se a OpenAI tropeçar, a Microsoft pode cair junto.
Além disso, a disputa por capacidade computacional é feroz. A empresa precisa equilibrar recursos entre o Azure, a pesquisa em IA e aplicações como o Copilot. É um jogo de xadrez onde cada movimento pode custar bilhões.
Enquanto isso, no Brasil...
Enquanto a Microsoft engorda, o Brasil vê seus investimentos públicos minguarem. A educação, a saúde e a ciência brasileira sofrem cortes. O orçamento para pesquisa e desenvolvimento é uma fração do que a Microsoft gasta em um trimestre. A soberania nacional fica cada vez mais refém de gigantes estrangeiros que não pagam impostos justos no país.
A concentração de riqueza nas mãos de poucas empresas de tecnologia é um dos maiores desafios do século 21. Enquanto a Microsoft vale mais que a economia de muitos países, milhões de brasileiros lutam para sobreviver. Não é justo. Não é sustentável.
É hora de discutir a taxação dessas big techs, de fortalecer a soberania digital brasileira e de investir em educação pública de qualidade. O Brasil não pode ficar refém de corporações que lucram bilhões enquanto o povo paga a conta.