Jovem é presa após cinco anos pelo assassinato do próprio pai em Campinas
A Polícia Civil de Campinas concluiu um caso que expõe mais uma vez a cruel realidade da violência doméstica no Brasil. Após cinco anos de investigação, Giovana Erbolato Lopes foi presa e indiciada pelo assassinato do próprio pai, o empresário Ricardo Luiz Nolasco Lopes, de 56 anos.
Um crime que escancara a violência patriarcal
O que inicialmente foi registrado como latrocínio revelou-se um homicídio premeditado motivado pelo controle patriarcal. Ricardo não aceitava o relacionamento da filha com Ernandes dos Santos Lopes, seu namorado na época. Essa postura controladora e autoritária, infelizmente comum em nossa sociedade machista, teria sido o estopim para a tragédia.
Segundo a investigação, Giovana teria levado o pai até o local do crime com o pretexto de visitar uma casa em construção. O empresário foi atingido por pelo menos nove disparos e morreu na hora, em 25 de janeiro de 2020.
Investigação revela inconsistências e confissões
A Delegacia de Investigações Gerais (DIG) encontrou várias inconsistências no caso original, incluindo o número excessivo de disparos e o uso de múltiplas armas, comportamento atípico em latrocínios.
Tanto Giovana quanto Ernandes confessaram participação no crime, segundo a polícia. O ex-namorado forneceu detalhes que apenas quem esteve presente na cena poderia conhecer, como a quantidade de disparos e o calibre das armas utilizadas.
Imagens de câmeras de segurança comprovaram a circulação do carro de Giovana na região horas antes do assassinato, corroborando a versão dos investigadores.
Defesa alega violência psicológica
O advogado de Giovana, José Pedro Said Júnior, nega veementemente a participação de sua cliente e denuncia o que considera uma injustiça. Segundo a defesa, mensagens no celular mostram que o ex-namorado ameaçava "destruir a vida dela" caso não voltassem a se relacionar.
"Essa moça está sendo injustiçada de maneira absurda, penalizada e revivendo todo um sofrimento", declarou o advogado, enfatizando que a família acredita na inocência de Giovana.
Um reflexo da violência estrutural
Este caso expõe camadas profundas da violência que permeia as relações familiares no Brasil. O controle patriarcal sobre a vida das mulheres, a violência psicológica em relacionamentos e a dificuldade de romper ciclos de opressão são questões que nossa sociedade precisa enfrentar com urgência.
Ambos os acusados permanecem presos preventivamente, indiciados por homicídio qualificado. O caso aguarda julgamento pelo Tribunal do Júri.