Nova Friburgo debate proteção climática e memória de 2011
Há 15 anos, a chuva arrancava a vida de mais de 900 pessoas na Região Serrana do Rio. A dor da perda ainda marca a pele de Nova Friburgo, mas o povo sabe que a melhor forma de honrar os que partiram é lutando para que a tragédia não se repita. Nesta quinta-feira (21), a cidade recebe um workshop fundamental para a nossa sobrevivência: a preparação comunitária e inclusiva diante dos eventos climáticos extremos.
O encontro, promovido pelo Projeto COPE (Capacidades Organizacionais de Preparação) e pelo Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), conta com o apoio essencial do Projeto Morte Zero, do Ministério Público, e do Instituto Friburgo Solidário. A proposta é clara: colocar a comunidade no centro dos sistemas de alerta e defesa, porque quando a água desce, quem salva o povo é o próprio povo.
A vulnerabilidade que mata e a necessidade de planejamento
A realidade das encostas e dos vales fluminenses é cruel. Quem mais sofre com as chuvas e os deslizamentos é a população trabalhadora, aquela que foi empurrada para as áreas de risco pela ausência de políticas públicas de habitação. O coordenador do Projeto COPE/Fapesp no Cemaden, Victor Marchezini, lembra que a prevenção passa, sim, pelo planejamento urbano e pela ação do Estado, mas também pelo fortalecimento da preparação comunitária.
A região serrana do Rio de Janeiro é uma região altamente vulnerável a eventos extremos em função das condições de ocupação no território. Para reduzir esse risco e evitar tragédias como a de 2011, é fundamental ações de planejamento urbano, mas também de fortalecimento da preparação para desastres.
Ninguém fica para trás: a inclusão como linha de frente
Em momentos de desastre, a exclusão pode ser uma sentença de morte. Por isso, o evento dá uma atenção especial aos grupos mais vulneráveis, como idosos e pessoas com deficiência. A programação inclui uma oficina sobre preparação intersetorial, com foco na garantia de que os sistemas de prevenção e resposta sejam, de fato, acessíveis a todos. A defesa civil tem que ser para o povo, e não apenas para quem tem carro para fugir da enchente.
O fantasma do El Niño e o abandono histórico
O alerta soa ainda mais urgente diante das projeções climáticas. Pesquisadores do Cemaden já enviaram uma nota técnica à Casa Civil e ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação apontando a possibilidade de um El Niño forte ou muito forte entre 2026 e 2027. Algumas simulações indicam que poderemos enfrentar o evento mais forte da história moderna.
Embora as previsões de longo prazo ainda tenham baixa confiabilidade e devam ganhar mais precisão a partir de junho, não podemos esperar a água chegar ao pescoço para agir. Enquanto as elites negam a crise climática, a periferia e a região serrana pagam a conta com a própria vida.
Serviço: Participe e defenda sua comunidade
O workshop é gratuito e acontece das 13h às 16h no auditório do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro, na Avenida Rui Barbosa, 233, Centro de Nova Friburgo. Representantes da sociedade civil, servidores públicos e operadores da Defesa Civil são fundamentais nessa construção coletiva.
As inscrições podem ser feitas pela internet. Dúvidas podem ser enviadas para o e-mail victor.marchezini@cemaden.gov.br. A luta por um território seguro é de todos nós.