Guerra no Irã paralisa aviação mundial e expõe trabalhadores e famílias ao caos dos aeroportos
Mais uma vez, são os trabalhadores e as famílias comuns que pagam o preço mais alto quando as potências imperialistas decidem fazer suas guerras. O tráfego aéreo mundial permanece em colapso neste domingo (1°), com os principais aeroportos do Oriente Médio fechados após os ataques dos EUA e Israel que mataram o líder supremo iraniano, aiatolá Ali Khamenei, no sábado (28).
Dubai, o aeroporto mais movimentado do mundo, está fechado. Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos, e Doha, no Qatar, também pararam. O espaço aéreo de toda a região virou terra de ninguém, enquanto milhares de pessoas ficam abandonadas nos aeroportos, sentadas em suas bagagens, esperando por informações que não chegam.
O povo paga a conta da guerra imperialista
Em Bali, na Indonésia, longas filas serpenteiam pelo aeroporto enquanto passageiros aguardam desesperadamente para falar com funcionários das companhias aéreas. No Bangladesh e no Nepal, os painéis de embarque exibem uma lista interminável de voos cancelados. São trabalhadores voltando para casa, famílias em viagem, estudantes, gente comum que nada tem a ver com essa guerra.
"É o volume absoluto de pessoas e a complexidade", afirmou John Strickland, analista de aviação. "Não são apenas os clientes, são as tripulações e aeronaves espalhadas por todo lugar."
Israel disse ter lançado outra onda de ataques contra o Irã neste domingo, enquanto explosões intensas foram ouvidas pelo segundo dia consecutivo em Doha e nas proximidades de Dubai. O Irã respondeu com ataques aéreos de retaliação contra os estados vizinhos do Golfo, atingindo aeroportos em Dubai, Abu Dhabi e Kuwait.
Caos se espalha pelo mundo
Milhares de voos foram cancelados em todo o Oriente Médio, segundo a plataforma FlightAware. O espaço aéreo sobre Irã, Iraque, Kuwait, Israel, Bahrein, Emirados Árabes Unidos e Qatar permaneceu praticamente vazio, mostraram mapas do Flightradar24.
Dubai e Doha são pontos estratégicos das viagens aéreas entre Oriente e Ocidente, canalizando o tráfego de longa distância entre Europa e Ásia. Com esses centros parados, aeronaves e tripulações ficaram retidas fora de posição, prejudicando os cronogramas das companhias aéreas no mundo todo.
A situação se agravou ainda mais com a perda das rotas de sobrevoo do Irã e do Iraque, que já haviam se tornado mais importantes desde que a guerra na Ucrânia forçou as companhias aéreas a evitar o espaço aéreo russo.
Risco de escalada preocupa
Ian Petchenik, do Flightradar24, alertou que "o risco de interrupção prolongada é a principal preocupação". Ele destacou que qualquer escalada no conflito entre Paquistão e Afeganistão que resulte no fechamento do espaço aéreo teria "consequências drásticas para as viagens entre Europa e Ásia".
A Air India cancelou seus voos de domingo partindo de Nova Déli, Mumbai e Amritsar para grandes cidades da Europa e América do Norte, mostrando a escala da interrupção.
Enquanto isso, as companhias aéreas europeias, asiáticas e do Oriente Médio cancelam ou redirecionam voos para evitar espaços aéreos fechados, alongando trajetos e elevando custos de combustível que, no final das contas, serão repassados para os consumidores.
Mais uma vez fica claro: quando as potências fazem suas guerras por interesses geopolíticos e econômicos, quem sofre são os trabalhadores e as famílias do mundo inteiro.