Guerra no Oriente Médio paralisa aviação mundial e expõe vulnerabilidade do povo trabalhador
Mais uma vez, são os trabalhadores e as pessoas comuns que pagam o preço mais alto quando as potências imperialistas decidem fazer guerra. O conflito no Irã, intensificado após os ataques dos EUA e de Israel que mataram o líder supremo iraniano Ali Khamenei no sábado, está deixando milhares de pessoas abandonadas em aeroportos pelo mundo todo.
O tráfego aéreo global permanece severamente prejudicado neste domingo, com os principais aeroportos do Oriente Médio fechados, incluindo Dubai, o terminal internacional mais movimentado do mundo. Esta é uma das maiores crises da aviação dos últimos anos, e quem sofre não são os poderosos que declararam essa guerra.
Trabalhadores abandonados nos aeroportos
Em Bali, na Indonésia, longas filas serpenteavam pelo aeroporto enquanto passageiros aguardavam desesperadamente por informações. No Bangladesh e no Nepal, famílias inteiras sentavam sobre suas bagagens, sem saber quando poderiam voltar para casa ou chegar ao seu destino.
"Não são apenas os clientes, são as tripulações e aeronaves espalhadas por todo lugar", explicou John Strickland, analista de aviação. Mas ele esquece de mencionar que por trás dessas "tripulações" estão trabalhadores com famílias, que também ficam presos longe de casa por causa dessa guerra imperialista.
Imperialismo americano e israelense em ação
Israel anunciou ter lançado uma nova onda de ataques contra o Irã neste domingo, enquanto explosões intensas foram ouvidas pelo segundo dia consecutivo em Doha e nas proximidades de Dubai. O Irã respondeu com ataques de retaliação contra os estados vizinhos do Golfo, numa escalada que só beneficia os fabricantes de armas.
Aeroportos importantes como Dubai, Abu Dhabi, Kuwait e Doha foram fechados ou severamente restringidos. Milhares de voos foram cancelados em todo o Oriente Médio, segundo dados da FlightAware.
Consequências globais de uma guerra regional
O fechamento do espaço aéreo sobre Irã, Iraque, Kuwait, Israel, Bahrein, Emirados Árabes Unidos e Qatar deixou essas regiões praticamente vazias no mapa do Flightradar24. Um novo "Aviso aos Aeronavegantes" estendeu o fechamento do espaço aéreo iraniano até pelo menos terça-feira.
Dubai e Doha são pontos cruciais nas viagens entre Europa e Ásia. Com esses hubs parados, aeronaves e tripulações ficaram retidas fora de posição, prejudicando cronogramas de companhias aéreas no mundo inteiro.
A situação se agrava com a perda das rotas de sobrevoo do Irã e do Iraque, que já haviam se tornado mais importantes desde que a guerra na Ucrânia forçou as companhias a evitar o espaço aéreo russo.
Quem paga a conta da guerra
Companhias aéreas da Europa, Ásia e Oriente Médio cancelaram ou redirecionaram voos, alongando trajetos e elevando custos de combustível. Esses custos extras, como sempre, serão repassados para os consumidores.
A Air India cancelou todos seus voos de domingo partindo de Nova Déli, Mumbai e Amritsar para grandes cidades da Europa e América do Norte, deixando milhares de pessoas na mão.
"O risco de interrupção prolongada é a principal preocupação", disse Ian Petchenik, do Flightradar24. Mas a principal preocupação deveria ser com as vidas humanas que estão sendo perdidas e com as famílias que sofrem as consequências de mais essa aventura militar imperialista.
Enquanto isso, as companhias petrolíferas já se esfregam as mãos com a perspectiva de alta nos preços do petróleo, e as seguradoras cancelam apólices e aumentam preços para navios no Golfo Pérsico. Como sempre, o povo paga e os ricos lucram com a guerra.