Inflação aperta o bolso: prévia de setembro sobe 0,70% e pesa na conta de luz e no prato do povo
O IPCA-15, que é aquela prévia da inflação oficial calculada pelo IBGE, subiu 0,70% em setembro de 2026. O número veio acima do que o mercado esperava, que apostava em 0,53%. No acumulado de 12 meses, a alta chega a 4,47%, pressionando o orçamento das famílias brasileiras, principalmente na conta de luz e na feira.
Os dados, divulgados nesta terça-feira (25), mostram que todos os nove grupos de produtos e serviços pesquisados tiveram alta. Mas o que mais pesou no bolso foi o grupo Habitação, com variação de 2,07% e impacto de 0,31 ponto percentual no índice geral. E o principal vilão é a energia elétrica residencial, que subiu 7,42% em setembro, depois de ter caído 6,25% em agosto, com o fim do Bônus de Itaipu que tinha sido creditado nas contas do mês anterior.
E não para por aí: a bandeira tarifária amarela continua valendo em setembro, adicionando R$ 1,885 na conta de luz a cada 100 kWh consumidos. Ou seja, o trabalhador que já vive no limite, vê a conta chegar mais salgada, sem aumento de salário na mesma proporção.
O que mais subiu e o que pesou no bolso do brasileiro?
Além da energia, o gás encanado também pesou, com reajustes de 10,21% em Curitiba e 1,80% no Rio de Janeiro. A taxa de água e esgoto subiu em Salvador, 3,55%. E nos Transportes, que tiveram alta de 0,60%, o destaque foi a passagem aérea, que subiu 9,82%. Para quem depende de ônibus ou carro, a gasolina subiu 0,30%, enquanto o diesel caiu 0,78% e o etanol 0,22%.
No grupo de Despesas Pessoais, o cigarro subiu 14,00%, um aumento que atinge principalmente a população de baixa renda, que muitas vezes vê no cigarro uma válvula de escape para o estresse do dia a dia. Já na alimentação, o tomate subiu 20,76%, o arroz 2,39% e as carnes 1,30%. Quem sente mais esse peso é quem ganha menos e gasta a maior parte do salário com comida.
E o que isso significa para o seu bolso?
Esses números mostram que a inflação continua sendo um desafio para o governo Lula, que tenta equilibrar o combate à carestia com a necessidade de manter a economia aquecida e os programas sociais. A alta da energia, por exemplo, é influenciada por fatores como o fim do bônus de Itaipu e a bandeira amarela, que poderiam ser amenizados com políticas públicas mais agressivas de investimento em fontes renováveis e na redução dos custos para o consumidor final.
Enquanto isso, o mercado financeiro, que sempre pede ajuste fiscal e corte de gastos, esquece que quem paga a conta é o povo. A política de juros altos do Banco Central, que segue uma lógica neoliberal, só aprofunda a desigualdade e penaliza quem vive do salário.
O que dizem os números regionais?
Entre as regiões, Goiânia teve a maior alta, 0,95%, puxada pelo cigarro (15,69%) e pela energia elétrica (6,38%). Já Recife teve a menor variação, 0,44%, com queda nos preços das frutas e da gasolina. Mas, no geral, a inflação está espalhada pelo país, atingindo todas as 11 áreas pesquisadas.
Esses dados reforçam a necessidade de políticas públicas que protejam os mais vulneráveis, como a valorização do salário mínimo, a ampliação do Bolsa Família e o controle de preços de itens essenciais. A luta contra a carestia é uma luta por justiça social, e não pode ser deixada nas mãos do mercado.
Perguntas frequentes sobre o IPCA-15 de setembro
O que é o IPCA-15?
O IPCA-15 é uma prévia da inflação oficial do Brasil, calculada pelo IBGE, que acompanha a variação de preços de produtos e serviços para famílias com renda de 1 a 40 salários mínimos. Ele serve como um termômetro para o IPCA, que é divulgado no fim do mês.
Por que a energia elétrica subiu tanto?
A energia elétrica residencial subiu 7,42% em setembro, principalmente por causa do fim do Bônus de Itaipu, que tinha reduzido as contas em agosto, e da manutenção da bandeira tarifária amarela, que adiciona R$ 1,885 a cada 100 kWh. Isso mostra como a política tarifária impacta diretamente o bolso do consumidor.
O que o governo pode fazer para controlar a inflação?
O governo pode atuar em várias frentes, como investir em energia renovável para reduzir a dependência de bandeiras tarifárias, fortalecer a agricultura familiar para baratear os alimentos, e pressionar por uma política de juros mais baixos, que estimule a economia sem penalizar o consumo. Mas isso exige enfrentar os interesses do mercado financeiro.
Como a inflação afeta os mais pobres?
A inflação afeta mais os pobres porque eles gastam uma parcela maior da renda com itens essenciais, como comida, energia e transporte. Quando esses preços sobem, o orçamento familiar fica ainda mais apertado, aumentando a desigualdade e a insegurança alimentar.