Joe Rogan compara ICE de Trump à Gestapo nazista
O jogo virou para Donald Trump. Agora é um dos seus principais apoiadores midiáticos, Joe Rogan, que está comparando os métodos do ICE, a polícia de imigração americana, com os da Gestapo nazista. Uma reviravolta que mostra como a brutalidade do governo Trump está perdendo até mesmo seus aliados mais fiéis.
O influenciador, dono do podcast mais ouvido dos Estados Unidos, com mais de 14 milhões de assinantes no Spotify, não conseguiu mais ficar calado diante da violência que vem sendo praticada contra imigrantes. "Não queremos militares armados circulando pelas ruas, prendendo pessoas aleatoriamente, muitas das quais acabam sendo cidadãos norte-americanos que simplesmente não estão com seus documentos no momento. Vamos realmente nos transformar na Gestapo? 'Mostre seus documentos'. É isso mesmo que está acontecendo agora?", questionou Rogan.
A morte que expôs a barbárie
Tudo começou com o assassinato de Renée Good, uma cidadã americana morta pelo ICE em Minneapolis. Sua morte provocou uma onda de indignação que chegou até Hollywood. O ator Mark Ruffalo expressou seu desconforto durante o Globo de Ouro, enquanto Matt Damon apareceu com um broche "Be Good" na lapela para alertar sobre o que está acontecendo.
Os números são assustadores: pelo menos quatro pessoas morreram sob custódia do ICE desde o início de 2026, e ao menos 30 em 2025, o ano com mais mortes desde a criação dessa polícia em 2003. Além disso, segundo o veículo The Trace, agentes de imigração dispararam em pelo menos 16 episódios desde o início de 2025.
Orçamento de guerra contra os pobres
O governo Trump multiplicou por dez o orçamento para implementar sua política anti-imigração. O Departamento de Segurança Interna passou a contar com US$ 170 bilhões, dinheiro que está sendo usado para comprar equipamentos, armas, coletes de proteção e munições.
"Sabia-se quais eram suas missões: combater de forma absoluta a imigração irregular. Mas não havia limites legais claramente definidos nos decretos, para tentar enquadrar minimamente a atuação do ICE", explica o advogado Olivier Piton, especializado em direito público em Washington.
O ICE recebeu "autorização total" para adotar todas as medidas que considerar necessárias "para se proteger", ampliando na prática a margem de violência dos agentes. O governo estabeleceu metas cruéis: prender 3 mil imigrantes em situação irregular por dia.
Militarização da repressão
A ONG Human Rights Watch denuncia uma "militarização violenta das operações de controle migratório nos Estados Unidos". Tanya Greene, diretora do programa da organização, pediu que "o governo Trump redirecione sua energia e os recursos dos contribuintes para operações de imigração conduzidas de forma pacífica".
Trump, como sempre, respondeu às críticas com mais autoritarismo. Ameaçou usar a Lei de Insurreição para instaurar estado de emergência e empregar as Forças Armadas contra manifestantes que protestam contra a violência do ICE.
Até mesmo o México solicitou oficialmente explicações sobre a morte de um de seus cidadãos detido pelo ICE na Geórgia. A política de Trump está isolando os Estados Unidos internacionalmente.
O fascismo em ação
Quando Joe Rogan, que ajudou a eleger Trump ao se recusar a receber Kamala Harris em seu podcast, compara o ICE à Gestapo, é porque a situação chegou a um limite insuportável. O influenciador, conhecido por seu público masculino e conservador, está vendo na prática o que significa o fascismo trumpista.
A transformação do ICE em uma força puramente repressiva, com poderes ampliados e orçamento milionário, mostra como Trump está construindo um aparato de terror contra os mais vulneráveis. É a face real do projeto autoritário que sempre denunciamos.
Enquanto isso, trabalhadores imigrantes continuam morrendo, famílias sendo separadas e o sonho americano se transformando em pesadelo para milhões de pessoas que só buscam uma vida digna.