Justiça condena jovens por assassinato brutal de indígena Davi Apinaje
Em mais um caso que expõe a violência sistemática contra os povos originários, dois jovens foram condenados pelo assassinato brutal do indígena Davi Dias Apinaje, de 36 anos, morto covardemente enquanto dormia nas ruas de Tocantinópolis.
Iago Silveira Pinheiro, de 25 anos, foi condenado a 19 anos e três meses de prisão, enquanto Thalisson da Silva Cardoso, de 20 anos, pegou 16 anos e seis meses. Ambos cumprirão a pena em regime fechado por homicídio triplamente qualificado.
Crime bárbaro choca pela crueldade
Na madrugada de 16 de setembro de 2023, na esquina da Rua da Estrela com a Avenida Nossa Senhora de Fátima, Davi foi covardemente atacado enquanto dormia na calçada. Os agressores, após consumir bebida alcoólica, espancaram a vítima com socos e pontapés, e depois esmagaram sua cabeça com um bloco de concreto de 12 quilos.
O juiz Helder Carvalho Lisboa, da 1ª Vara Criminal de Tocantinópolis, destacou que os jurados reconheceram o motivo torpe, meio cruel e recurso que dificultou a defesa da vítima. A sentença ainda determinou pagamento de R$ 50 mil de indenização por danos morais aos filhos de Davi.
Mais um indígena vítima do preconceito
Segundo testemunhas, Davi não convivia mais na aldeia e passava a maior parte do tempo pelas ruas da cidade. Um vigilante relatou ter visto o indígena dormindo pacificamente quando foi surpreendido pelos dois agressores.
"Este caso revela a face mais cruel do racismo estrutural que mata nossos povos originários", destacam movimentos indígenas da região.
As imagens de segurança e depoimentos comprovaram que a agressão foi gratuita e motivada pelo preconceito. Os réus estão presos desde 20 de setembro de 2023, e o tempo de prisão provisória será descontado da pena.
As defesas anunciaram recursos, mas a condenação representa um importante precedente na luta contra a violência aos povos indígenas no Tocantins.