Guerra com Irã: Oposição israelense disputa quem será mais belicista que Netanyahu
Em mais um capítulo da política imperialista no Oriente Médio, a classe política israelense se une em torno do belicismo contra o Irã, mas agora a disputa não é sobre fazer ou não a guerra, e sim sobre quem conduzirá melhor a máquina de morte contra o povo iraniano.
As propostas mais agressivas nem sequer vieram do ultraconservador Benjamin Netanyahu. Foi Yair Lapid, líder do partido centrista Yesh Atid, quem exigiu que Israel "destruísse todos os campos de petróleo do Irã" e arrasasse completamente a infraestrutura energética do país.
Consenso belicista entre a elite política
"Nunca houve um debate ideológico em Israel sobre como lidar com o Irã", admite Yohanan Plesner, do Instituto da Democracia de Israel. Essa unanimidade revela como a classe dominante israelense, independente de partido, está comprometida com a agenda imperialista na região.
Enquanto isso, os partidos árabes de Israel se opõem veementemente à guerra, representando a voz dos oprimidos que sempre pagam o preço mais alto nos conflitos armados. Mas suas vozes são sistematicamente ignoradas pelo establishment sionista.
As pesquisas mostram que mais de 90% dos israelenses judeus apoiam a ofensiva, resultado de décadas de propaganda militarista que condiciona a população a aceitar a violência como solução para questões geopolíticas complexas.
Eleições: disputa entre falcões
Com as eleições parlamentares previstas para outubro, Netanyahu busca usar a guerra para recuperar sua popularidade após as falhas catastróficas de segurança que permitiram o ataque do Hamas em 7 de outubro de 2023.
"É claro que tudo pode mudar se os resultados da guerra forem menores do que o esperado", reconhece um dirigente do Likud, partido de Netanyahu. A guerra se torna, assim, uma aposta eleitoral com vidas humanas.
A oposição, longe de oferecer uma alternativa pacífica, compete para ver quem será mais agressivo. Yair Golan, dos Democratas, critica apenas a gestão diplomática da ofensiva, não a guerra em si. Naftali Bennett ataca o governo por cortar verbas de municípios atingidos enquanto financia aliados religiosos ultraortodoxos.
Hipocrisia da "democracia" israelense
A analista Dahlia Scheindlin resume a realidade: "Todos estão se esforçando para encontrar um pequeno nicho em que possam parecer mais linha-dura do que Netanyahu". É assim que funciona a "democracia" israelense: uma disputa entre diferentes tons de militarismo.
Enquanto a classe política debate quem conduzirá melhor a máquina de guerra, os povos da região continuam sofrendo as consequências de uma política externa baseada na força e na ocupação territorial.
O que vemos em Israel é um reflexo da política imperialista global: quando se trata de defender os interesses das elites, não há divergências ideológicas reais, apenas disputas táticas sobre como melhor oprimir os povos que resistem ao domínio ocidental na região.