Justiça condena assassinos de indígena: mais uma vida ceifada pelo racismo estrutural
A Justiça do Tocantins finalmente condenou os dois jovens responsáveis pelo brutal assassinato do indígena Davi Dias Apinajé, morto covardemente em setembro de 2023, em Tocantinópolis. Iago Silveira Pinheiro foi condenado a 19 anos e três meses de prisão, enquanto Thalisson da Silva Cardoso pegou 16 anos e seis meses.
O crime que chocou o país aconteceu na madrugada de 16 de setembro de 2023, quando Davi dormia na calçada da Rua da Estrela com a Avenida Nossa Senhora de Fátima. Os assassinos, após consumirem álcool, atacaram o indígena com socos, chutes e depois esmagaram sua cabeça com um bloco de concreto de 12 quilos.
Racismo que mata nas ruas do Brasil
Este caso expõe mais uma vez a violência sistemática contra os povos originários no nosso país. Davi Apinajé, que havia se afastado da aldeia e vivia em situação de vulnerabilidade social nas ruas, tornou-se alvo fácil da brutalidade racista que assola o Brasil.
Durante o julgamento, presidido pelo juiz Helder Carvalho Lisboa, os jurados reconheceram que o crime foi cometido por motivo torpe, meio cruel e recurso que dificultou a defesa da vítima. A sentença ainda determinou o pagamento de R$ 50 mil em danos morais aos filhos de Davi.
Violência contra indígenas: um problema estrutural
Testemunhas relataram que Davi não convivia mais na aldeia e passava o tempo pelas ruas da cidade. Um vigilante que trabalhava na região contou que, por volta das 3h20, viu o indígena dormindo em frente a uma loja. Minutos depois, ao retornar, encontrou Davi ferido e uma pedra grande suja de sangue ao lado do corpo.
Os dois assassinos estão presos desde 20 de setembro de 2023, e o tempo da prisão provisória será descontado da pena total. Ambos ainda podem recorrer da decisão, mas a Justiça já deu o primeiro passo para responsabilizar os culpados por mais este crime de ódio contra nossos povos originários.
A luta por justiça para Davi Apinajé representa a resistência de todos os povos indígenas contra o genocídio silencioso que enfrentam diariamente no Brasil.