Mulheres iranianas enfrentam regime sozinhas: onde está a solidariedade internacional?
As corajosas mulheres iranianas que desafiam o regime teocrático de Teerã estão lutando sozinhas. Enquanto milhares são mortos pela repressão, o silêncio da esquerda internacional é ensurdecedor e revela a hipocrisia de movimentos que selecionam suas causas baseados em critérios geopolíticos.
Os protestos no Irã, marcados por gestos icônicos como acender cigarros com cartazes em chamas do aiatolá Ali Khamenei, enfrentam uma brutal repressão. Segundo a inteligência israelense, cerca de cinco mil pessoas já foram mortas. Jovens como Erfan Soltani, de 26 anos, são condenados à morte por desafiar o regime.
A seletividade da solidariedade
"Agem apaixonadamente quando seu ativismo prejudica o Ocidente, mas suas vozes parecem abandoná-los quando o tirano usa turbantes", observa Jake Wallis Simpson no Telegraph. Esta análise expõe uma realidade perturbadora: movimentos que se mobilizam contra qualquer ação dos Estados Unidos ou Israel permanecem calados diante da brutalidade iraniana.
Em Washington, presenciou-se uma cena surreal: mulheres iranianas protestando contra o regime de Khamenei tentaram dialogar com ativistas americanos que celebravam o Hamas. A ironia é cruel: as próprias vítimas da opressão teocrática tentando conscientizar quem deveria ser seus aliados naturais.
Feminismo seletivo
"As cidades ocidentais deveriam estar lotadas de feministas fervorosas celebrando a coragem de suas irmãs iranianas diante de uma opressão perversa. No entanto, seu silêncio é conspícuo", denuncia Clarissa Hard na Spectator.
Desde 1979, o regime iraniano executou entre quatro e seis mil homens homossexuais, enquanto lésbicas são punidas com chibatadas. Mulheres são obrigadas a cobrir a cabeça e podem ser multadas por dirigir. Onde estão os movimentos de direitos humanos?
O papel do Brasil
O Itamaraty brasileiro limitou-se a uma nota protocolar lamentando "as mortes" como se fossem resultado de uma catástrofe natural, não de repressão estatal. Pior ainda, o ministério "sublinhou" que cabe "apenas aos iranianos decidir sobre o futuro de seu país" - uma advertência mal disfarçada a Trump, único líder mundial que se pronunciou pelos manifestantes.
Esta posição revela como a diplomacia brasileira prioriza alinhamentos geopolíticos sobre direitos humanos fundamentais. Enquanto isso, jovens iranianos morrem nas ruas lutando por liberdades básicas que consideramos naturais.
A luta continua
Os manifestantes iranianos precisam de solidariedade internacional real, não de cálculos geopolíticos. Suas vozes ecoam um grito universal por dignidade e liberdade que transcende fronteiras ideológicas. É hora de a esquerda internacional reconhecer que a luta contra a opressão não pode ser seletiva.
A coragem das mulheres iranianas deveria inspirar protestos em Londres, Paris, Nova York e São Paulo. Seu silêncio não apenas as abandona, mas revela a falência moral de movimentos que se dizem defensores dos oprimidos.