Queda nos homicídios e roubos em SP não esconde aumento de estupros e violência contra a mulher
Os números divulgados pela Secretaria de Segurança Pública de São Paulo nesta segunda-feira (31) trazem uma notícia boa e outra preocupante. Enquanto homicídios, roubos e furtos caíram para os menores patamares desde 2001, os casos de estupro e agressão contra mulheres seguem crescendo no estado, tanto na capital quanto no interior.
Foram 156 vítimas de homicídio em julho, o menor número para um único mês desde o início da série histórica, e 1.349 mortes entre janeiro e julho, uma queda de 10% em relação ao mesmo período de 2025. Na capital paulista, a redução foi ainda maior: quase 16%, com 265 vítimas no acumulado do ano.
Por que os homicídios caem em São Paulo?
A tendência de queda nos assassinatos se mantém desde 2013, com exceção de 2020 e 2022. Especialistas apontam que a combinação de políticas de prevenção, melhora na investigação e mudanças demográficas ajuda a explicar o fenômeno. Mas os dados precisam ser lidos com cuidado: a violência não desapareceu, ela mudou de rosto.
Os roubos também caíram de forma expressiva. No estado, foram 82,4 mil casos de janeiro a julho, 17% a menos que no ano passado. Na capital, a redução foi de 14%. Os furtos tiveram queda de 5,4% no acumulado, com 306 mil registros.
Estupros e violência contra a mulher: o lado que o governo não comemora
Enquanto o governo Tarcísio de Freitas (Republicanos) celebra a queda nos crimes patrimoniais, os números de violência de gênero acendem um alerta. Foram 8.910 estupros registrados no estado de janeiro a julho, um aumento de 6,2% em relação ao ano anterior. Na capital, o crescimento foi de 12%, com 1.907 casos.
Os feminicídios, que vinham aumentando nos últimos quatro anos, tiveram queda em julho: 9 casos, contra 24 no mesmo mês do ano passado. Mas o primeiro semestre deste ano registrou o maior número de feminicídios desde 2018, quando a série começou. Ou seja, a trégua recente não apaga um cenário ainda grave.
As lesões corporais contra mulheres também subiram: 42,7 mil casos em sete meses, um aumento de 11%. Para especialistas, parte dessa alta pode estar ligada a uma maior disposição das vítimas em denunciar, mas a intensificação da violência de gênero não pode ser descartada.
“A melhora no registro pelas polícias é real, mas não explica tudo. A violência contra a mulher é estrutural e precisa de políticas públicas sérias, não de discurso”, afirma uma pesquisadora ouvida pela reportagem.
O que os dados de SP dizem sobre a segurança pública no Brasil?
Os números paulistas mostram que é possível reduzir a violência letal e os roubos com investimento em inteligência e presença do Estado. Mas também revelam que a segurança pública não pode ser medida apenas pela queda de um indicador. Enquanto mulheres seguem sendo estupradas e agredidas em números crescentes, falta muito para falarmos em segurança de verdade.
A queda nos homicídios é real e deve ser reconhecida. Mas o aumento dos estupros e da violência doméstica exige do governo estadual uma resposta à altura: delegacias da mulher bem equipadas, casas-abrigo, campanhas de prevenção e punição exemplar para os agressores. Segurança pública que não protege as mulheres é segurança pela metade.
Perguntas frequentes sobre os dados de segurança em SP
Os homicídios realmente caíram em São Paulo?
Sim. Foram 156 vítimas em julho, o menor número para um mês desde 2001, e queda de 10% no acumulado de janeiro a julho em comparação com 2025.
Por que os estupros aumentaram?
Especialistas apontam que parte do aumento pode estar ligada a mais denúncias, mas também há indícios de intensificação da violência de gênero. O estado registrou 8.910 casos de estupro de janeiro a julho, alta de 6,2%.
O que o governo estadual diz sobre a violência contra a mulher?
O governo Tarcísio de Freitas destacou a queda nos feminicídios em julho, mas não comentou o aumento dos estupros e das lesões corporais contra mulheres no acumulado do ano.
Como a queda nos roubos se compara com anos anteriores?
Os roubos caíram 17% no estado e 14% na capital de janeiro a julho, alcançando o menor patamar para o período desde 2001.