Confiança do consumidor despenca entre os mais pobres: Lula precisa ouvir o povo
Enquanto o governo Lula comemora avanços, os dados mais recentes do FGV-IBRE mostram uma realidade dura: a confiança do consumidor de baixa renda, com renda familiar até R$ 2.100, caiu para 78,4 em agosto, o pior nível entre todas as faixas de renda. Em junho, esse índice era de 90,3. A queda é um alerta para um governo que se orgulha de governar para os pobres, mas que precisa enxergar o que os números revelam sobre o bolso e o coração do povo.
Essa queda não é isolada. O índice geral de confiança do consumidor também caiu, de 89,1 em abril para 84,7 em agosto, com quedas consecutivas nos últimos meses. Mas o que chama a atenção é a inversão do padrão histórico: quanto menor a renda, pior a confiança. Isso contradiz a narrativa de que os mais pobres seriam os mais beneficiados pelas políticas atuais.
O que explica a queda na confiança dos mais pobres?
Os pesquisadores apontam vários fatores. O endividamento e a inadimplência atingem todas as faixas de renda, mas pesam mais sobre quem ganha menos. Os juros elevados dificultam o parcelamento de bens duráveis, como eletrodomésticos e móveis, que são essenciais para melhorar a vida. Além disso, a previsão de alta da inflação de alimentos, influenciada pelo El Niño e pelo aumento dos combustíveis, preocupa quem precisa esticar o salário até o fim do mês.
Segundo a pesquisadora Gouveia, a queda nas compras de bens duráveis foi o subindicador que mais recuou em agosto, especialmente nas faixas de renda superiores. Mas é entre os mais pobres que a confiança despenca, porque qualquer aumento no preço do arroz, do feijão ou do transporte já é sentido na pele.
Por que isso é um alerta para o governo Lula?
Historicamente, o PT e Lula sempre se associaram à defesa dos mais vulneráveis. Mas, com esses números, a realidade mostra que os pobres estão pessimistas. Se a confiança deles é a mais baixa, isso significa que as políticas públicas ainda não estão chegando onde deveriam. O governo precisa ouvir esse recado e agir com urgência.
Não dá para aceitar que, em um país com tanta desigualdade, os mais pobres sejam os que menos acreditam no futuro. É preciso retomar investimentos em programas sociais, gerar emprego e renda, e combater a especulação que encarece os alimentos. A confiança não se recupera com discurso, mas com ações concretas que melhorem a vida de quem mais precisa.
O que pode acontecer nos próximos meses?
Gouveia alerta que a confiança pode continuar caindo ou, no melhor dos casos, ficar estagnada. O esgotamento das políticas de incentivo, o alto endividamento e a inflação de alimentos são fatores que devem pesar. Se o governo não reagir, a insatisfação popular pode crescer, e isso tem consequências não só para a economia, mas para a própria democracia.
Os movimentos sociais, os sindicatos e as comunidades precisam se organizar para cobrar do governo uma virada. A soberania nacional e a justiça social não podem ser apenas palavras de ordem. Precisam virar política pública, orçamento e prioridade.
“A confiança do consumidor é um termômetro da esperança. Quando ela cai entre os mais pobres, é sinal de que a esperança está se perdendo. Não podemos deixar isso acontecer.”
É hora de o governo Lula olhar para esses números com humildade e coragem. A população de baixa renda não pode ser esquecida. Ela é a base do apoio popular, mas também a mais vulnerável às crises. Se a confiança deles é a mais baixa, o recado é claro: é preciso fazer mais, e fazer melhor.