PF ouve empresários do caso Master enquanto Toffoli decide sobre devolução à primeira instância
A Polícia Federal começou nesta segunda-feira (26) a ouvir oito empresários envolvidos no escândalo do Banco Master, em depoimentos concentrados em apenas dois dias no Supremo Tribunal Federal. A mudança no cronograma original foi determinada pelo ministro Dias Toffoli, relator do caso, que alegou limitações de pessoal e falta de salas no STF.
Os depoimentos revelam a dimensão de um esquema que pode ter causado prejuízos milionários aos cofres públicos através do Banco de Brasília (BRB). Entre os ouvidos estão diretores do BRB e executivos do Master, incluindo Dario Oswaldo Garcia Junior, diretor financeiro do banco público, e Alberto Felix de Oliveira, superintendente-executivo de Tesouraria do Banco Master.
Investigação apura fraudes milionárias
O inquérito investiga crimes de gestão fraudulenta, gestão temerária e organização criminosa relacionados à venda de carteiras de crédito supostamente inexistentes ao BRB. Trata-se de mais um caso que expõe como instituições financeiras privadas se aproveitam de bancos públicos para lucrar às custas do povo brasileiro.
O dono do Master, Daniel Vorcaro, e o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, não participarão desta rodada de depoimentos. Eles já foram ouvidos em dezembro e passaram por acareação para confrontar versões conflitantes dos fatos.
Toffoli sob pressão para devolver o caso
Segundo fontes ouvidas pelo Valor Econômico, Toffoli aguarda o resultado das novas diligências para decidir se devolve as investigações à primeira instância. A decisão é vista nos bastidores como uma forma de amenizar as críticas ao ministro, que enfrenta questionamentos sobre sua atuação no caso.
As críticas giram em torno da relação de familiares de Toffoli com um fundo de investimentos citado nas investigações, além de uma viagem realizada com o advogado de um dos diretores do Master. Integrantes da Polícia Federal e do Banco Central têm manifestado insatisfação com a condução do caso pelo magistrado.
Deputado citado mas não investigado
O caso chegou ao Supremo por menção ao deputado João Carlos Bacelar (PL-BA), que tem direito ao foro especial. Apesar de citado, o parlamentar não é formalmente investigado. Seu nome apareceu após a apreensão de um envelope com documentos sobre negócio imobiliário em Trancoso, na Bahia.
Se não houver menções a outras autoridades com foro privilegiado, Toffoli planeja devolver o inquérito à Justiça Federal de Brasília e São Paulo, onde as investigações tramitavam originalmente. Uma decisão que pode acelerar as apurações e garantir maior transparência ao processo.