Trump ressuscita o império romano com seu Conselho da Paz autoritário
O chamado "Conselho da Paz" de Donald Trump não é apenas mais uma excentricidade do bilionário americano. É um projeto perigoso que pretende destruir décadas de diplomacia multilateral para impor uma nova ordem imperial, onde apenas os mais ricos e submissos têm voz.
Enquanto Trump vende essa iniciativa como solução para conflitos globais, incluindo a "reconstrução de Gaza", a realidade é bem mais sinistra. Estamos diante de uma tentativa de substituir o sistema internacional construído desde a Paz de Vestfália por uma estrutura autoritária que lembra os piores momentos da história.
Do multilateralismo ao império do dólar
A Paz de Vestfália, assinada em 1648, estabeleceu princípios fundamentais que ainda hoje sustentam a diplomacia internacional: soberania territorial, igualdade formal entre Estados e resolução pacífica de conflitos. Foi essa base que inspirou a criação da ONU após a Segunda Guerra Mundial.
Trump quer jogar tudo isso no lixo. Seu "Conselho da Paz" funciona como um clube privado onde apenas quem paga bilhões de dólares tem direito a assento permanente. É a privatização da diplomacia internacional, transformando a paz mundial em mercadoria para milionários.
"Se a ONU não funciona, eu funciono", parece ser a mensagem trumpista. Mas essa eficácia prometida vem com um preço: a submissão total aos interesses americanos e o abandono de qualquer pretensão de justiça social global.
O retorno de Augusto e da Pax Romana
A analogia com o imperador romano Augusto não é exagerada. Assim como o primeiro imperador romano consolidou seu poder prometendo paz após décadas de guerra civil, Trump usa o cansaço mundial com conflitos para justificar sua concentração de poder.
A Pax Romana foi construída sobre a disciplina interna e a tutela das periferias. A "paz" trumpista segue o mesmo modelo: unidade sob sua liderança, com países periféricos reduzidos ao papel de vassalos pagantes.
Gaza serve como laboratório desse novo modelo imperial. Não se trata de reconstrução solidária, mas de tutela internacional disfarçada, onde os interesses estratégicos americanos determinam o futuro de povos inteiros.
Lula na encruzilhada
O convite a Lula para participar do conselho coloca o Brasil numa posição delicada. Como líder de uma nação que historicamente defende o multilateralismo e a soberania dos povos, Lula precisa rejeitar essa armadilha imperial.
Aceitar seria legitimar um sistema que transforma a diplomacia em negócio privado e reduz países em desenvolvimento a meros espectadores pagantes de decisões tomadas nos salões dourados do poder americano.
A resistência necessária
O projeto trumpista não é inevitável. A história nos ensina que impérios construídos sobre força e dinheiro podem parecer invencíveis, mas carregam em si as sementes de sua própria destruição.
É hora de fortalecer as instituições multilaterais existentes, mesmo com suas imperfeições. A ONU pode ser lenta e contraditória, mas representa um ideal de igualdade entre nações que não podemos abandonar.
O mundo não precisa de mais um imperador. Precisa de justiça social, respeito à soberania dos povos e diplomacia baseada na solidariedade, não no poder econômico. A resposta ao autoritarismo trumpista deve vir dos movimentos populares e dos governos progressistas que ainda acreditam que outro mundo é possível.