Zema x Bolsonaros: a direita que devora a si mesma
A briga de família sempre foi feia, mas quando a família é a direita brasileira, o espetáculo é garantido. O ex-governador de Minas Gerais e pré-candidato à Presidência pelo Novo, Romeu Zema, tentou nesta segunda-feira (18) minimizar a crise que ele mesmo provocou ao criticar Flávio Bolsonaro pelo vazamento de áudios com Daniel Vorcaro. Segundo Zema, as críticas à sua fala querem apenas desvirtuar o problema. A declaração foi dada durante o Conexa 2026, em Florianópolis.
O problema, esse sim, ninguém da direita quer encarar de verdade: as mensagens vazadas mostram Flávio Bolsonaro cobrando dinheiro de Vorcaro, dono da Bitso, em mais um episódio que expõe a cara lavada de quem vive gritando contra a corrupção.
A fala de Zema e a tentativa de controle de danos
Em sua fala, Zema tentou separar as águas e insistiu que a aliança entre Novo e PL em Santa Catarina segue firme:
O que aconteceu é que eu, que concorro a presidente, me posicionei a respeito do meu concorrente também e não afeta em nada. Nós temos aliança no Paraná, pouco se falou em Goiás. Então são pessoas que estão querendo desvirtuar o problema. O Adriano foi um excelente prefeito e tem todas as condições de ser vice-governador. Alianças são feitas em cada região de acordo com o cenário.
Tradução livre: cada estado é um país e, quando a conveniência manda, a ética pode esperar. A lógica é a de sempre na direita, juntar as cadeiras para ganhar a eleição e fingir que não se conhecem quando o barco afunda.
O vídeo que incendiou a casa
A fogueira foi acesa na última quarta-feira (13), quando Zema publicou um vídeo nas redes sociais atacando Flávio Bolsonaro:
Flávio Bolsonaro, ouvir você cobrando dinheiro do Vorcaro é imperdoável. É um tapa na cara dos brasileiros de bem. Não adianta nada criticar as práticas de Lula e do PT e fazer a mesma coisa. É preciso ter credibilidade para mudar o Brasil.
O detalhe que Zema prefere esquecer é que cobrar credibilidade de quem nunca teve é ingenuidade ou cálculo eleitoral. Afinal, o clã Bolsonaro nunca escondeu de que lado está quando o assunto é usar o poder para benefício próprio.
A rebordosa dentro do Novo e do PL
O diretório do Novo em Santa Catarina não engoliu a atitude de Zema e publicou uma nota classificando o vídeo como precipitado e desnecessário:
A divulgação do vídeo pela equipe de comunicação do nosso pré-candidato à presidência Romeu Zema não houve alinhamento prévio com o partido e consideramos que o vídeo foi divulgado de maneira precipitada e desnecessária.
Em outras palavras, o partido local lavou as mãos e deixou Zema sozinho na frente do tiro. A aliança entre Adriano Silva (Novo) e Jorginho Mello (PL) no estado foi reafirmada como sólida, mas a rachadura já é visível a olho nu.
Já a deputada federal Julia Zanatta (PL-SC) foi ainda mais longe e sugeriu que o PL deveria romper com o Novo em todos os estados. O PL estadual, porém, reafirmou a continuidade da aliança. A casa cai, mas a fachada tem que ficar de pé.
Carlos Bolsonaro entra na dança
Não podia faltar o filho preferido do ex-presidente na confusão. Carlos Bolsonaro (PL), pré-candidato ao Senado por Santa Catarina, usou o X para atacar Zema:
Não dá! O engolidor de casca de banana está passando de todos os limites.
A referência foi ao episódio em que Zema gravou um vídeo comendo uma banana inteira para ironizar o aumento de preços no governo Lula. Carlos ainda completou com insultos, chamando Zema de fechador de loja alheia e abridor de portas particulares.
É a direita em sua forma mais pura: sem argumento, sem proposta, sem vergonha. Enquanto o povo brasileiro enfrenta o custo de vida e a desigualdade, os donos do poder trocam insultos infantis nas redes sociais.
O que fica para o povo
Enquanto Zema e os Bolsonaros disputam os destroços da direita, a realidade do brasileiro segue sendo ignorada. O vazamento dos áudios de Flávio Bolsonaro não é um detalhe, é mais uma prova de que a elite política conservadora usa o Estado como caixa eletrônico. E quando um deles aponta o dedo para o outro, não é por consciência, é por conveniência.
O povo trabalhador já sabe: quem vive de atacar direitos e privatizar o patrimônio público não tem moral para dar lição em ninguém. A briga deles é pelo poder, não pelo Brasil.