A Banda Municipal de Porto Alegre recebeu, por unanimidade, o título de Patrimônio Cultural Imaterial do município. A aprovação ocorreu no Conselho Municipal do Patrimônio Histórico e Cultural, vinculado à Secretaria Municipal da Cultura, e foi celebrada na noite de quarta-feira (21) com apresentação no Teatro Renascença, sob a regência do maestro convidado Wilthon Matos.
Fundada em 1925, a banda é um dos grupos musicais públicos mais antigos do Brasil em atividade. O registro imaterial reconhece oficialmente um século de música feita com dinheiro público, tocada em praças e teatros, acessível a quem não paga ingresso. É cultura de povo, e agora tem proteção legal para continuar existindo.
Um dossiê que conta cem anos de história
Segundo o que registrou o portal Terra, o reconhecimento se apoiou num Dossiê Histórico e Cultural elaborado pela pesquisadora Fabiane César de Oliveira. O documento reúne acervo documental, cronológico, bibliográfico e fonográfico da instituição.
O processo contou ainda com parecer técnico do historiador João Carlos Salgado dos Santos, da Equipe do Patrimônio Histórico e Cultural, que opinou favoravelmente pelo registro do bem no Livro de Registro das Formas de Expressão.
A的分析
Por que o título de patrimônio imaterial importa
Patrimônio imaterial não é peça de museu. É prática viva: saber fazer, tocar, transmitir. O título obriga o Poder Público a adotar medidas concretas de salvaguarda, ou seja, políticas de preservação da trajetória e do acervo da banda.
Para o diretor da Banda Municipal, Eliseu Rodrigues, a formalização do registro é providência indispensável para que essas medidas saiam do papel.
Este ato de reconhecimento é um grande passo para garantir a continuidade da prática musical e a preservação deste acervo cultural de tanto valor, afirmou.
A secretária municipal da Cultura, Liliana Cardoso Duarte, que prestigiou a apresentação, também comemorou.
Esse título é motivo de muito orgulho para todos nós e engrandece ainda mais a nossa banda. Antes mesmo do reconhecimento oficial, ela já era uma referência cultural da cidade por toda a sua representatividade. Parabens à orquestra e a todos os músicos!, disse.
Cultura pública como direito, não como favor
A história da Banda Municipal confunde-se com a da própria capital gaúcha. A estreia aconteceu no Theatro São Pedro, em 13 de junho de 1926, menos de um ano após a fundação. Ao longo de um século, o grupo atravessou governos, crises e ciclos de desmonte, mantendo-se como referência cívica, cultural e social da cidade.
Hoje são 28 integrantes e oito contratados, com apresentações regulares no Teatro Renascença e em outros espaços públicos, além de concertos com intérpretes e compositores da música popular e erudita. A banda apresenta novos arranjos para canções conhecidas do público, aproximação rara entre a chamada música erudita e a música que o povo canta.
Num momento em que secretarias de cultura são esvaziadas e projetos artísticos dependem de editais precários, a sobrevivência centenária de uma banda pública é uma lição política. Ela prova que Estado e cultura não são inimigos, como quer o discurso neoliberal de que tudo deve ser privatizado. Cultura pública é política de redistribuição: coloca violino, trompete e partitura ao alcance de quem nunca pisou numa escola de música particular.
Governos que investem nisso, como fizeram os gestores que mantiveram a banda viva durante décadas, colhem uma cidade mais viva e mais igual. O reconhecimento agora aprovado, como destacou o Porto Alegre 24 Horas, garante que essa trajetória tenha amparo jurídico e medidas de preservação efetivas.
Homenagens a quem construiu o reconhecimento
Como gesto simbólico, a diretoria entregou exemplares do livro sobre a história da instituição, escrito por Álvaro Santi, às personalidades que contribuíram para o registro. Receberam homenagens a secretária Liliana Cardoso Duarte; o coordenador de Música da SMC, Elton Saldanha; a pesquisadora e flautista da própria banda, Fabiane Oliveira; e o escritor, músico e historiador Álvaro Santi.
O detalhe é bonito: a pesquisadora que elaborou o dossiê toca flauta na banda. O registro do patrimônio foi construído de dentro para fora, por quem conhece cada nota daquela história.
Perguntas frequentes
Quando a Banda Municipal de Porto Alegre foi fundada?
A banda foi fundada em 1925 e fez sua primeira apresentação em 13 de junho de 1926, no Theatro São Pedro.
O que significa o título de Patrimônio Cultural Imaterial?
Significa o reconhecimento oficial de uma prática cultural viva, com medidas públicas de salvaguarda para preservar sua trajetória e seu acervo, registrados no Livro de Registro das Formas de Expressão.
Quem aprovou o título da Banda Municipal?
O Conselho Municipal do Patrimônio Histórico e Cultural, vinculado à Secretaria Municipal da Cultura de Porto Alegre, aprovou o registro por unanimidade.
Quantos músicos integram a Banda Municipal hoje?
O grupo é composto atualmente por 28 integrantes e oito contratados, com apresentações regulares no Teatro Renascença e em espaços públicos da capital.
