Onda conservadora vence no 1º turno e imprensa mundial alerta: Lula tem batalha dura pela frente
A surpresa de Lula com a vantagem de Flávio Bolsonaro no primeiro turno, a onda conservadora nas urnas e o interesse de Washington na eleição foram destaques nos sites de grandes jornais pelo mundo. O que a imprensa internacional viu foi um Brasil dividido, onde o bolsonarismo segue forte e a esquerda precisa se reorganizar para o segundo turno.
Flávio Bolsonaro sai na frente e imprensa internacional reage
O The New York Times destacou que nem Lula nem Flávio venceram o primeiro turno, mas que Bolsonaro obteve mais votos. O jornal americano afirmou que a disputa apertada pode ter consequências abrangentes muito além do país. Já o The Wall Street Journal disse que Flávio ultrapassou Lula, preparando um segundo turno amargo e deixando o incumbente de esquerda com uma luta difícil.
O britânico The Guardian classificou a atuação do filho do ex-presidente como mais forte do que o esperado, e lembrou que Lula chamou o resultado de 'inesperado'. O jornal também apontou que Flávio entra como favorito, impulsionado pela migração de votos de outros candidatos de direita, como Ronaldo Caiado (2,1%) e Renan Santos (2,2%).
O que a imprensa europeia diz sobre o resultado
O Público, de Portugal, afirmou que o Brasil vai esperar mais três semanas para conhecer seu futuro político, com Flávio partindo com vantagem. O francês Le Monde trouxe a declaração de Flávio de que 'Lula pagou o preço pelo descontentamento dos eleitores' e destacou que o bolsonarismo ainda está vivo. O correspondente descreveu a festa do PT no Rio que virou um comício melancólico: apoiadores de vermelho, com rostos fechados e cerveja na mão, viam os resultados em uma grande tela, alguns choravam, outros seguravam a cabeça.
O concorrente Les Echos falou em 'onda gigante' da direita no Congresso e lembrou que apenas dois pontos separam Flávio de Lula, mas que isso representa uma inversão, já que Lula liderou toda a campanha. O alemão Der Spiegel viu um triunfo do clã Bolsonaro e alertou: 'O último baluarte da esquerda na América do Sul está prestes a cair'.
América Latina e a sombra de Washington
O espanhol El País afirmou que a onda ultraconservadora que varre a América Latina conquistou uma vitória crucial no Brasil. O argentino La Nación lembrou que a eleição foi realizada 'sob o olhar atento de Washington' e que uma vitória de Flávio consolidaria a virada à direita na região, com vitórias na Colômbia, Peru e Honduras, todas com patrocínio da Casa Branca de Donald Trump. O presidente argentino Javier Milei celebrou o resultado, chamando Lula de 'comunista' e parabenizando Flávio.
O Clarín, também argentino, falou em 'reviravolta surpreendente e dramática', com Flávio vencendo com 47,05% contra 45,13% de Lula. 'O Brasil quer uma mudança', disse o vencedor, enquanto as pesquisas apontavam empate técnico.
O que esperar do segundo turno?
Com três semanas pela frente, Lula precisa reverter a vantagem de Flávio e mobilizar a base. A imprensa internacional aponta que a tarefa é difícil, mas a história recente mostra que o segundo turno pode surpreender. A pergunta que fica é: a esquerda brasileira vai conseguir se reerguer contra a onda conservadora que domina o cenário internacional?
Camila Teixeira, para o Vozes do Brasil