Brasileira no Japão: vivo melhor aqui do que no Brasil, diz psicanalista que fugiu do desmonte
A psicanalista Carine Sayuri Goto, de 45 anos, trocou o Brasil pelo Japão em 2019, empurrada pelo desmonte das políticas públicas de saúde mental promovido pelo governo Jair Bolsonaro. Mesmo enfrentando o medo constante de terremotos e o avanço da xenofobia, ela faz um balanço claro de sua trajetória: a vida que leva hoje no Japão é muito superior à que deixou para trás. A segurança nas ruas, a ausência de assédio e o acolhimento em sua cidade adotiva pesam mais do que as dificuldades impostas a quem imigra.
Por que uma profissional do SUS deixou o Brasil?
Nascida em Guarulhos, na Região Metropolitana de São Paulo, Carine construiu toda sua carreira no Centro de Atenção Psicossocial (Caps), instituição fundamental do Sistema Único de Saúde (SUS) para o atendimento em saúde mental. Formada em psicologia pela Unesp em 2006, com especialização pela Unicamp e mestrado concluído em 2018, ela era supervisora clínica e rodava o interior de São Paulo fortalecendo a rede pública.
Foi justamente quando a extrema-direita tomou o poder que o chão desabou.