Carol de Toni: a candidata de Bolsonaro ao Senado que assusta Santa Catarina
Caroline Rodrigues de Toni, a Carol de Toni, de 39 anos, foi oficializada pelo PL como candidata ao Senado por Santa Catarina nas Eleições 2026. A confirmação veio no dia 1º de agosto, durante uma convenção do partido na Arena Opus, em Florianópolis. Essa figura polêmica, que já presidiu a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara, representa a ala mais radical do bolsonarismo e promete uma campanha agressiva contra os direitos sociais.
Carol de Toni é advogada, professora universitária e está no segundo mandato como deputada federal. Esta é a primeira vez que ela tenta uma vaga no Senado. Mas quem é essa mulher que já foi apontada como uma das principais vozes do conservadorismo no Congresso?
De onde vem Carol de Toni?
Nascida em Chapecó, no Oeste de Santa Catarina, em 1º de setembro de 1986, Carol construiu sua base eleitoral na região. Formada em Direito pela Unochapecó, com mestrado em Direito Público, ela já foi professora universitária. Mas sua trajetória política é marcada por uma guinada à direita que começou nas ruas.
Foi em 2016, durante as manifestações pelo impeachment da presidenta Dilma Rousseff (PT), que Carol se conectou com a política. Ela entrou para o Movimento Brasil Livre (MBL), tornou-se uma das lideranças dos protestos e decidiu entrar de vez na política partidária. A primeira eleição foi para vereadora pelo PP em Chapecó, em 2016, mas ela só conseguiu 1,5 mil votos e ficou como suplente.
Dois anos depois, mudou para o PSL, o partido que lançou Jair Bolsonaro à Presidência. Impulsionada pela 'onda 17', Carol foi eleita deputada federal com 109 mil votos. Em 2022, foi a mais votada de Santa Catarina, com 227 mil votos, e assumiu a presidência da CCJ, a comissão mais importante da Câmara.
O que ela defende?
Carol de Toni se declara conservadora e foca sua atuação em pautas que assustam quem luta por justiça social: combate ao aborto, flexibilização das regras para posse e porte de armas e defesa do agronegócio. Ela é uma das principais aliadas de Jair Bolsonaro e do filho dele, Flávio Bolsonaro, que é candidato à Presidência.
Mas a candidatura dela não foi tranquila. O ex-vereador do Rio de Janeiro Carlos Bolsonaro (PL) chegou a se mudar para Santa Catarina para concorrer ao Senado, o que quase tirou Carol da chapa. O governador Jorginho Mello, presidente estadual do PL, inicialmente queria formar uma dupla com Carlos e o senador Esperidião Amin (PP). Só depois de muita pressão interna e ameaças de saída do partido, Carol conseguiu manter a vaga.
Os suplentes: quem são?
O primeiro suplente é Geraldo Wetzel Neto, advogado e empresário de Joinville, filiado ao Novo. Ele atua há mais de 20 anos no setor de estruturação de empresas e desenvolvimento imobiliário. É neto de um ex-prefeito de Joinville e nunca participou de uma eleição antes.
O segundo suplente é Andrey Tomazi (PL), empresário de Blumenau, que atua no ramo imobiliário e de aviação. Ele foi candidato a deputado estadual em 2018 pelo Democratas, mas não se elegeu.
Quem apoia essa candidatura?
A coligação 'Fé no trabalho e pé na tábua' reúne PL, Novo, Republicanos, Podemos, federação PSDB/Cidadania, DC, Agir e Avante. Entre os apoiadores estão o governador Jorginho Mello e o candidato a presidente Flávio Bolsonaro. Uma verdadeira aliança da direita conservadora.
O patrimônio dela dobrou
Carol de Toni declarou à Justiça Eleitoral um patrimônio de R$ 1.412.309,50. O valor é o dobro do que ela informou em 2022, quando disse ter R$ 651 mil. Agora, ela possui uma casa, um apartamento, um terreno, cotas de empresas e aplicações financeiras. Enquanto isso, o povo brasileiro enfrenta a carestia e a falta de políticas públicas.
Como funciona a eleição para o Senado?
Em 2026, duas das três cadeiras de cada estado estarão em disputa. Cada eleitor pode votar em dois candidatos diferentes, e os dois mais votados serão eleitos, sem segundo turno. O mandato é de oito anos, e cada candidato tem dois suplentes.
O senador representa o estado no Congresso Nacional, propõe e vota leis, fiscaliza o governo e decide sobre indicações para cargos como ministros do STF e procurador-geral da República. É um cargo de imenso poder, e Carol de Toni quer ocupar uma dessas cadeiras para aprofundar a agenda conservadora.
O que está em jogo?
A candidatura de Carol de Toni é um teste para o bolsonarismo em Santa Catarina. Se ela vencer, será mais uma voz radical no Senado, pronta para atacar direitos trabalhistas, a democracia e as políticas de inclusão social. Para quem acredita em justiça social, é um alerta vermelho.