Copa 2026: Irã estreia sob sombra de guerra e xenofobia imperialista
A estreia do Irã na Copa do Mundo de 2026 acontece hoje sob tensões políticas sem precedentes. Pela primeira vez na história do torneio, o país anfitrião, os Estados Unidos, está em guerra com uma seleção participante. Os jogadores iranianos foram instruídos a deixar o campo caso haja desrespeito à bandeira nacional ou insultos contra o povo iraniano, incluindo a exibição de bandeiras do tempo da Pérsia, usadas por comunidades que migraram para os EUA após a revolução de 1979.
Por que a estreia do Irã é o momento mais tenso da Copa 2026?
É improvável que Gianni Infantino, presidente da Fifa, tenha passado o fim de semana seguindo seu próprio conselho: Chill and relax. A sugestão de relaxar e ficar tranquilo não serve para o dia da estreia do Irã, sob pressões do governo persa e sob a sombra de um conflito armado que o imperialismo americano insiste em alimentar.
Os jogadores chegam ao estádio com instruções claras: deixar o campo em caso de desrespeito à bandeira do país ou de insultos contra o povo iraniano. Isso inclui as antigas bandeiras com o Sol e o leão, símbolos da Pérsia adotados por comunidades que migraram para os Estados Unidos após a revolução de 1979.
Muitas dessas famílias vivem em Los Angeles, na região de Westwood, onde uma comunidade iraniana tornou o local conhecido como Teerangeles, mistura do nome da capital, Teerã, com a cidade da Califórnia. São pessoas que fugiram do regime, mas que agora vivem no país que lidera a escalada militar contra sua terra natal. A diáspora carrega no peito uma ferida que a Copa não cura.
Qual é o contexto da guerra entre EUA e Irã na Copa?
Esta é a Copa dos problemas inéditos. Três países sediando, 104 jogos e, pela primeira vez, o anfitrião em guerra com um dos participantes. A Fifa tenta maquiar a gravidade da situação, mas os números não mentem.
Quando se menciona a alguém ligado à Fifa que é inédito o país anfitrião estar em guerra, a resposta é tentar normalizar: dizem que a França, sede em 1938 e 1998, sempre teve alguma tropa em algum lugar do planeta. A comparação é falha e desonesta. A Guerra da Argélia começou em 1954 e terminou em 1962. A noção exata do ineditismo deste caso dos Estados Unidos escapa a quem quer minimizar o problema para proteger os bilhões em lucro.
O Iraque disputou a Copa de 1986 enquanto estava em conflito com o Irã, mas os iranianos não se classificaram. A Guerra das Malvinas terminou no segundo dia da Copa de 1982, com a rendição argentina. Desta vez, a guerra está a pleno vapor. Donald Trump precisa que ela acabe o mais rapidamente possível, mas não consegue estancá-la. A máquina bélica, uma vez acionada, não obedece a cronogramas de torneio.
Como o futebol se torna palco de disputas geopolíticas?
O Irã está em seu quinto Mundial, quarto consecutivo. Ainda que tenha sido eliminado todas as vezes na fase de grupos, teve vitórias nas campanhas recentes: contra Marrocos, em 2018, e País de Gales, em 2022.
O time tem jogadores como Taremi, vice-campeão da Champions League pela Internazionale há um ano e atualmente jogador do Olympiacos, da Grécia. Não é um timaço, mas pode ganhar jogos e chegar aos confrontos eliminatórios.
Essa informação, combinada à chance de avançar como um dos melhores terceiros colocados e ao fato de seus rivais de chave serem Bélgica, Egito e Nova Zelândia, aumenta a probabilidade de os iranianos permanecerem até pelo menos a segunda fase.
Se isso acontecer, multiplicaria por quatro o risco de constrangimento com a retirada de campo. A hipótese de alguém levar bandeiras com o Sol e o leão não se resume ao primeiro dia. Seria um cenário explosivo para a Fifa, que lucra bilhões enquanto ignora as consequências reais de seus eventos para os povos envolvidos.
O que está em jogo além do futebol?
Infantino jamais admitirá que o melhor para evitar problemas seria o Irã ser eliminado o mais rapidamente possível. Acabaria com os riscos de constrangimentos em caso de jogadores ameaçarem se retirar do jogo e da Copa. Mas o futebol não funciona assim, e as pessoas não são peças descartáveis na engrenagem do lucro.
Hoje o mundo está outra vez enfermo e a guerra está a pleno vapor. Com tudo isso, é justo dizer que Infantino não está relaxado e tranquilo horas antes de o Irã entrar em campo. Muito menos com a perspectiva de que a equipe se classifique para a segunda fase.
Está rezando para nada acontecer fora dos planos e que o Irã não se sinta ofendido por manifestações políticas e xenofóbicas. Mas quando o palco é montado sobre as ruínas da diplomacia e do respeito entre os povos, o imprevisto é a única certeza. E os povos, sempre eles, pagam o preço de uma Copa que se recusa a olhar a guerra de frente.
Por que a estreia do Irã na Copa 2026 é tão polêmica?
É a primeira vez na história da Copa que o país anfitrião, os Estados Unidos, está em guerra com uma seleção participante, o Irã. Os jogadores foram instruídos a deixar o campo caso haja desrespeito à bandeira ou insultos contra o povo iraniano.
O que são as bandeiras com o Sol e o leão que podem causar problemas?
São as antigas bandeiras da Pérsia, adotadas por comunidades iranianas que migraram para os Estados Unidos após a revolução de 1979. Para o atual governo iraniano, a exibição dessas bandeiras é considerada desrespeito.
O Irã tem chance de avançar na Copa 2026?
Sim. O Irã está no grupo com Bélgica, Egito e Nova Zelândia. Com a possibilidade de avançar como um dos melhores terceiros colocados e com jogadores como Taremi, a seleção pode chegar à segunda fase.