Eleições 2026: deepfake, crime organizado e o desafio de proteger a democracia
Em 2026, o Brasil volta às urnas para escolher presidente, governadores, senadores e deputados. Mas, desta vez, o jogo não será apenas nas ruas e nos debates. A inteligência artificial, o crime organizado e a violência política de gênero prometem transformar a disputa num campo minado. Para quem defende a democracia e os direitos do povo, o Direito Eleitoral nunca foi tão urgente.
A professora Francieli de Campos, especialista em Direito Eleitoral, alerta: as regras mudam rápido, e o que valeu em 2024 pode não valer em 2026. “O TSE decide e julga, mas a cada nova composição da Corte, os entendimentos podem mudar. Isso é um desafio para coordenadores de campanha e marqueteiros”, explica. E, para quem está do lado da justiça social, entender essas mudanças é questão de sobrevivência política.
Deepnudes: a arma suja contra as mulheres na política
Mais mulheres estão disputando cargos, mas a inteligência artificial virou uma ferramenta de perseguição. Os chamados “deepnudes” — imagens e vídeos íntimos falsos criados por IA — são usados para humilhar, chantagear e destruir candidatas. “Em 2024, vimos candidatas de todos os espectros sendo alvo desse tipo de violência. É mais grave que a desinformação tradicional”, denuncia Francieli. Para uma esquerda feminista e antirracista, combater isso é prioridade.
Mulheres são 52% do eleitorado, mas ocupam menos de 20% do Congresso
O Brasil tem 52% de eleitoras, mas ocupa a 133ª posição no ranking mundial de representação feminina. “Se não temos mulheres no Parlamento, as políticas públicas deixam de incorporar esse olhar”, critica a professora. As cotas e os recursos para campanhas femininas avançaram, mas ainda não garantiram mais eleitas. A luta por igualdade de gênero na política é uma batalha de classe e de direitos.
Crime organizado de olho no poder
Facções criminosas estão se infiltrando em partidos e estruturas do Estado. O TSE já deu o alerta. “Os partidos precisam de compliance para barrar criminosos antes mesmo das candidaturas”, defende Francieli. Para quem defende a soberania nacional e o combate à corrupção, essa é uma linha vermelha que não pode ser ultrapassada.
Perfis anônimos: a fábrica de mentiras
Páginas falsas e perfis anônimos espalham propaganda negativa com recursos não declarados. “Cada ação parece pequena, mas juntas formam uma rede organizada de desinformação”, explica a especialista. É o velho golpe com roupagem digital, e a esquerda precisa estar atenta para não ser engolida por essa máquina.
Liberdade de expressão ou censura? O dilema do TSE
Para conter a desinformação, o TSE suspende perfis e remove conteúdos. Mas isso pode gerar um “efeito inibitório” (chilling effect) que desencoraja a livre circulação de ideias. “O grande teste de 2026 será equilibrar a proteção das eleições com o respeito à liberdade de expressão e de imprensa”, pondera Francieli. Para uma esquerda que defende a democracia plena, esse é um debate fundamental.
Como se preparar para 2026
A FMP abriu inscrições para um curso de aperfeiçoamento em Direito Eleitoral, focado na prática de campanhas. “Reunimos professores que atuam na Justiça Eleitoral para abordar propaganda, LGPD, violência de gênero e inelegibilidades”, explica Francieli. Para quem quer defender os direitos do povo nas urnas, essa é uma ferramenta essencial.
Perguntas frequentes sobre as eleições de 2026
O que são deepnudes e como afetam as candidatas?
São imagens e vídeos íntimos falsos criados por inteligência artificial para humilhar e desmoralizar mulheres na política. A prática cresceu nas últimas eleições e é considerada uma forma grave de violência política de gênero.
Como o crime organizado pode influenciar as eleições?
Facções criminosas tentam infiltrar partidos, financiar campanhas e eleger candidatos. O TSE recomenda que os partidos criem mecanismos de compliance para barrar esses criminosos antes das candidaturas.
O TSE está censurando a liberdade de expressão?
O tribunal suspende perfis e remove conteúdos para combater a desinformação. Especialistas alertam que isso pode gerar um efeito inibitório, desencorajando o debate. O desafio é encontrar o equilíbrio entre proteger as eleições e garantir a liberdade de expressão.