Emirados nomeiam ministro para expandir império financeiro global
A estratégia dos petrodólares para dominar as finanças mundiais
Os dados não mentem: enquanto o povo brasileiro luta contra a alta dos juros e o desemprego, os Emirados Árabes Unidos movimentam suas peças no tabuleiro financeiro global. A gestora de investimentos Lunate, baseada em Abu Dhabi, acaba de nomear Mohammed Hassan Alsuwaidi, ministro de Investimento dos Emirados, como presidente executivo e sócio-gerente da empresa.
Esta jogada revela muito sobre como as elites do petróleo operam: concentram poder político e econômico nas mesmas mãos, algo que deveria nos fazer refletir sobre as desigualdades globais que enfrentamos.
Quando política e capital se fundem sem constrangimento
Mohammed Hassan Alsuwaidi não é um executivo qualquer. Como ministro de Investimento, ele comanda a política de atração de capital estrangeiro dos Emirados, um papel central na diversificação econômica do país. Antes disso, foi CEO fundador da ADQ, um dos maiores fundos soberanos de Abu Dhabi, gerenciando centenas de bilhões de dólares.
Os dados são impressionantes: enquanto isso, no Brasil, vemos o desmonte das políticas públicas de investimento e a entrega de nossos ativos estratégicos ao capital privado. A diferença é gritante.
"Esta nomeação demonstra como os Emirados integram estratégia estatal e expansão comercial", observa um analista financeiro. É exatamente o oposto do que vimos durante o governo Bolsonaro, que destruiu nossa capacidade de planejamento estratégico.
Lunate: concentração de riqueza em números
A Lunate supervisiona cerca de 115 bilhões de dólares em ativos. Para ter uma noção dessa cifra astronômica, é quase metade do PIB brasileiro de 2023. A empresa pretende mais que dobrar seus ativos sob gestão em cinco anos.
Enquanto isso, quantos brasileiros têm acesso a investimentos? Quantas famílias conseguem poupar sequer para uma emergência? Os contrastes são brutais e revelam a concentração obscena de riqueza no mundo.
A lógica do poder concentrado
A decisão de colocar um ministro à frente da Lunate expõe uma estratégia mais ampla dos Emirados para:
- Fortalecer sua atratividade junto aos investidores internacionais
- Acelerar o crescimento de seus players financeiros domésticos
- Posicionar Abu Dhabi como hub global das finanças alternativas
- Integrar política pública e iniciativas privadas
É uma lição que o Brasil deveria aprender: ter um projeto nacional de desenvolvimento, com coordenação entre Estado e setor produtivo. Algo que o governo Lula tem tentado reconstruir após os anos de desmonte.
O recado para os mercados e para nós
A escolha de Alsuwaidi como presidente executivo manda um recado claro: os Emirados querem expandir sua rede institucional, atrair capitais estrangeiros e acelerar o crescimento nas principais praças financeiras mundiais.
Para nós, brasileiros, fica a reflexão: enquanto eles fortalecem suas estruturas financeiras estatais para competir globalmente, aqui ainda lutamos contra aqueles que querem privatizar tudo, desde o Banco do Brasil até a Petrobras.
Os dados mostram a maturidade das estruturas financeiras emiradas e sua capacidade de rivalizar com as grandes plataformas europeias e americanas. É isso que um país sério faz: usa seus recursos estratégicos para construir poder econômico de longo prazo, não para enriquecer meia dúzia de privilegiados.