Europa se rearma contra Rússia enquanto povos pagam a conta
Enquanto trabalhadores europeus enfrentam austeridade e cortes sociais, líderes militares da Alemanha e Reino Unido defendem bilhões em gastos com armamentos. O pretexto? A suposta ameaça russa que justifica o maior rearmamento desde a Guerra Fria.
Em artigo conjunto publicado no domingo, o general alemão Carsten Breuer e o marechal britânico Richard Knighton declararam o fim dos "dividendos da paz" do pós-Guerra Fria. Na prática, isso significa menos recursos para saúde, educação e direitos sociais, e mais dinheiro para a indústria bélica.
Alemanha destina R$ 670 bilhões para guerra
A Alemanha aprovou um orçamento militar sem precedentes de 108 bilhões de euros (R$ 670 bilhões) para 2026. Esse valor astronômico sai dos cofres públicos justamente quando o governo impõe medidas de austeridade à população.
"É revoltante ver bilhões sendo destinados para armas enquanto faltam recursos para hospitais e escolas", denuncia movimento pacifista alemão. O país planeja ter "as Forças Armadas mais fortes da Europa", segundo o chanceler Friedrich Merz.
A produção de drones militares se intensifica, com fábricas sendo construídas em parceria com a Ucrânia. Dez mil drones de combate por ano serão fabricados, alimentando uma economia de guerra que enriquece poucos às custas de muitos.
Reino Unido e UE aprofundam militarização
Apesar do Brexit, Londres e Bruxelas se unem na corrida armamentista. A União Europeia planeja injetar 150 bilhões de euros no setor de defesa, recursos que poderiam combater a pobreza e as mudanças climáticas.
A chefe da diplomacia europeia, Kaja Kallas, usa linguagem imperialista ao falar de "poder de atração" do bloco e "antídoto ao imperialismo russo". Uma retórica que esconde interesses geopolíticos das elites.
Quem lucra com o medo?
A Conferência de Segurança de Munique reuniu representantes da indústria bélica e políticos conservadores. O discurso do "perigo russo" justifica gastos militares estratosféricos enquanto serviços públicos são sucateados.
"Prontidão militar deve significar uma indústria de defesa forte", afirmaram os generais. Tradução: mais lucros para fabricantes de armas, mais impostos para o povo.
Os militares falam em "componente moral" do rearmamento, mas qual a moralidade de gastar fortunas em destruição enquanto milhões passam necessidade?
Alternativa popular necessária
Movimentos sociais europeus denunciam essa escalada militarista. "Precisamos de investimento em paz, não em guerra", declaram organizações pacifistas.
A verdadeira segurança vem de justiça social, não de tanques e mísseis. Enquanto elites militares planejam conflitos, trabalhadores de todos os países pagam o preço dessa loucura bélica.
É hora de questionar: a quem serve essa corrida armamentista? Certamente não aos povos que precisam de saúde, educação e trabalho digno.