Macron alerta: Europa não pode se curvar aos EUA e precisa se fortalecer contra imperialismo americano
O presidente francês Emmanuel Macron lançou um alerta contundente aos líderes europeus: a União Europeia não pode se dobrar diante das ameaças dos Estados Unidos e precisa tratar o que ele chamou de "momento Groenlândia" como um sinal de que é hora de acelerar reformas há muito adiadas.
Em entrevista a vários jornais europeus, Macron denunciou a postura "abertamente antieuropeia" do governo Trump, que busca o "desmembramento" da UE através de pressões comerciais e tecnológicas.
Resistência contra a agressão imperialista
"Quando há um ato claro de agressão, acho que o que devemos fazer não é nos curvar ou tentar chegar a um acordo", declarou Macron ao Le Monde e Financial Times. "Tentamos essa estratégia por meses. Não está funcionando."
O líder francês alertou que nos próximos meses os EUA vão "com certeza" atacar a Europa por causa da regulamentação digital, prevendo possíveis tarifas de importação caso a UE use sua Lei de Serviços Digitais para controlar as empresas de tecnologia americanas.
Duplo imperialismo: EUA e China
Macron descreveu o cenário atual como um "duplo desafio" para a Europa: "Temos o tsunami chinês no front comercial e temos instabilidade minuto a minuto do lado norte-americano. Essas duas crises representam um choque profundo, uma ruptura para os europeus."
Para enfrentar essa realidade, o presidente francês renovou seu apelo para que a UE embarque em mais empréstimos comuns, permitindo investimentos em grande escala e desafiando a hegemonia do dólar norte-americano.
Soberania europeia e preferência nacional
"Os mercados mundiais estão cada vez mais cautelosos com o dólar norte-americano. Eles estão buscando alternativas. Vamos oferecer a eles a dívida europeia", propôs Macron, destacando que as instituições democráticas europeias são um trunfo em um momento em que os EUA estão "se afastando do Estado de Direito".
Na cúpula desta quinta-feira, os líderes europeus discutirão os planos franceses para uma estratégia "Made in Europe" que estabeleceria requisitos mínimos para conteúdo europeu em produtos fabricados localmente.
"Para mim, a estratégia econômica para tornar nossa Europa uma potência reside no que chamo de proteção, que não é protecionismo, mas sim preferência europeia", defendeu o presidente francês.
A proposta de Macron ecoa as demandas históricas dos movimentos progressistas por soberania nacional e proteção dos trabalhadores contra a exploração das multinacionais, mostrando que mesmo no centro do capitalismo europeu cresce a consciência de que é preciso resistir ao imperialismo americano.