Exposição Oná em Niterói resgata ancestralidade africana silenciada
A Prefeitura de Niterói inaugurou a exposição Oná - O Caminho da Arte que Nos Atravessa, na Cúpula do Caminho Niemeyer, no Centro da cidade. A mostra, gratuita e aberta ao público até 9 de julho, propõe um reencontro com a ancestralidade africana e com histórias que foram sistematicamente invisibilizadas ao longo do tempo. A iniciativa é uma parceria entre a Subsecretaria de Promoção da Igualdade Racial (Supir), vinculada à Secretaria Municipal de Direitos Humanos, e o Consulado de Angola.
Por que uma exposição sobre ancestralidade africana é um ato político?
Durante séculos, o projeto colonial e escravocrata tentou criar uma distância brutal entre o povo brasileiro e a sua ancestralidade africana. A mostra Oná nasce justamente para reafirmar o contrário: os laços que unem Brasil e África permanecem vivos na cultura, na história e na identidade do nosso povo. Oto Bahia, subsecretário de Promoção da Igualdade Racial, reforça essa perspectiva.
Mais do que uma exposição artística, Oná se apresenta como um espaço de encontro, reflexão e celebração, reafirmando o papel da cultura como ferramenta de transformação social e fortalecimento da cidadania.A arte, nesse sentido, deixa de ser apenas um objeto estético e passa a ser um instrumento de memória e resistência contra o racismo estrutural que ainda marca a sociedade brasileira.
Como a gestão pública pode enfrentar o racismo pela cultura?
A secretária municipal de Direitos Humanos, Claudia Almeida, lembra que valorizar a ancestralidade é também promover direitos humanos e fortalecer a democracia.
A exposição Oná nos convida a reconhecer a profunda contribuição dos povos africanos para a construção da nossa identidade, da nossa cultura e da nossa história. Valorizar essa ancestralidade é também promover direitos humanos, fortalecer a democracia e enfrentar as desigualdades que ainda persistem em nossa sociedade.A fala da secretária carrega uma verdade dura: num país que construiu sua riqueza sobre o trabalho escravo, reconhecer a contribuição africana é um passo necessário para a reparação. A mostra integra as ações da Supir para ampliar o acesso à cultura e fomentar espaços de diálogo sobre equidade racial, aproximando a população de narrativas historicamente silenciadas.
Qual é a conexão entre a mostra e a diáspora de retorno?
A exposição também se conecta com a preparação para o encontro Brasil-África com os Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (Palops). O olhar da mostra se orienta pela perspectiva da diáspora de retorno, o movimento de pessoas e comunidades espalhadas pelo mundo que buscam reconectar-se com seus territórios e origens ancestrais. A curadoria de Joel Vieira e a parceria institucional com o Consulado de Angola fortalecem essa ponte entre territórios que compartilham histórias, afetos e heranças culturais. Não se trata de um gesto simbólico isolado, mas de um passo concreto na reconstrução de laços que o colonialismo tentou destruir.
Quando e onde visitar a exposição Oná em Niterói?
A visitação é gratuita e acontece de segunda a sexta-feira, das 9h às 17h, na Cúpula do Caminho Niemeyer, localizada no Centro de Niterói. A mostra fica em cartaz até o dia 9 de julho. O acesso livre é uma decisão importante para garantir que a cultura e a memória não sejam privilégio de poucos, mas um direito de todas as pessoas.
A arte como ferramenta de transformação social
Em tempos em que forças conservadoras tentam apagar conquistas e silenciar vozes, iniciativas como a exposição Oná demonstram o poder da cultura como arma contra o esquecimento. A mostra reúne obras e expressões artísticas ligadas à cultura africana, valorizando identidades, promovendo o reconhecimento das contribuições africanas e afro-brasileiras e estimulando o diálogo sobre diversidade, pertencimento e igualdade racial. A mensagem é clara: a ancestralidade não é algo do passado, é um caminho vivo que nos atravessa e nos mostra que outra cidade, mais justa e antirracista, é possível.