Fim da escala 6x1: Lula diz que votação no Senado vai derrubar máscaras do PL
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, afirmou nesta terça-feira (6) que a votação da PEC que acaba com a escala 6x1 no Senado será o primeiro teste real para o PL, partido do seu adversário no segundo turno, Flávio Bolsonaro. Para Lula, a análise da proposta vai mostrar de uma vez por todas quem está do lado dos trabalhadores e quem só finge defender a classe.
A declaração foi dada em Brasília, durante conversa com a imprensa sobre o início da campanha da segunda etapa da disputa presidencial. O petista disse confiar que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), vai cumprir a promessa de levar o texto ao plenário logo após o primeiro turno.
O que está em jogo na PEC que acaba com a escala 6x1
A proposta, já aprovada pela Câmara dos Deputados, garante dois dias de descanso por semana e reduz a jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais, sem corte de salário. É uma pauta que afeta diretamente a vida de milhões de brasileiros e brasileiras que vivem no limite entre o trabalho e a sobrevivência.
Lula afirmou que este é um dia decisivo e que as máscaras vão cair, especialmente para o partido do senador Flávio Bolsonaro.
“Na hora que o Senado começar a votar, a máscara vai começar a cair. Estou confiando que o Senado vai repetir a decisão que já foi tomada pela Câmara e estou confiante de que o PL vai demonstrar se tem coragem ou não de votar a favor dessa escala. Quem mentiu até agora, chegou o Dia D, vai ter que dizer se vai ou não votar”, afirmou Lula.
Mulheres são as mais afetadas pela escala 6x1
O presidente também destacou um ponto que raramente aparece nos discursos oficiais: a escala 6x1 pesa muito mais sobre as mulheres. São elas que, na prática, usam o único dia de folga para cuidar da casa, dos filhos e das tarefas domésticas que ainda recaem de forma desproporcional sobre seus ombros.
Lula reforçou que o resultado da votação no painel do Senado vai deixar claro quem cumpre o que promete.
“É um desejo muito grande da sociedade brasileira, é preciso dar civilidade ao mundo do trabalho e, sobretudo, à jornada de trabalho para criar condições para a família poder viver mais tranquila, e o dia de hoje é importante pelo seguinte, porque meu adversário vai ter que tomar uma decisão se ele vai mandar a bancada do partido dele votar favorável ao fim da escala 6x1 ou não”, disse.
Flávio Bolsonaro chama discussão de 'oportunista'
Do outro lado do ringue, Flávio Bolsonaro (PL) também falou sobre o tema nesta terça. O senador se declarou contra a PEC e classificou como “oportunista” o fato de o assunto ser discutido durante o segundo turno.
O candidato afirmou ter uma proposta “infinitamente melhor”, que daria ao trabalhador liberdade para escolher a própria carga horária. Ele se referia ao projeto do senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador de sua campanha, que propõe um regime baseado nas horas trabalhadas, com a jornada negociada entre empregado e empregador.
“O Lula, em quatro anos de governo, não faz [a discussão]. Agora, no meio do segundo turno, ele vem, de uma forma oportunista, querer fazer um movimento, achando que isso vai dar voto para ele”, disse Flávio.
O que está por trás da proposta de Flávio Bolsonaro
Vale lembrar que a tal “liberdade de escolha” defendida por Flávio Bolsonaro e Rogério Marinho é, na prática, uma flexibilização total dos direitos trabalhistas. Em um país com altos índices de desemprego e informalidade, a “negociação livre” entre empregado e empregador quase sempre termina com o trabalhador aceitando condições piores para não perder o pouco que tem.
Enquanto isso, a PEC que acaba com a escala 6x1 representa uma conquista real e concreta: mais tempo para viver, para descansar, para estar com a família. É uma pauta que une movimentos sociais, sindicatos e a população que sente na pele o cansaço de uma rotina exaustiva.
Por que esta votação é um marco para os trabalhadores
O dia de hoje pode entrar para a história como o momento em que o Senado brasileiro decidiu, de uma vez por todas, se está ao lado do povo trabalhador ou dos interesses do mercado. A votação da PEC que acaba com a escala 6x1 é mais do que uma pauta legislativa: é um teste de compromisso com a dignidade humana.
E a sociedade está de olho. Como disse o próprio Lula, chegou o Dia D. As máscaras vão cair, e o povo vai saber exatamente quem está de cada lado.
Foto: R7 Notícias