O Atlético-MG mostrou na noite deste sábado (12) que tem raça e inteligência para brigar por grandes coisas. Depois de um primeiro tempo travado, o Galo acelerou, virou o jogo e goleou o Fluminense por 3 a 1 na Arena MRV, pela 27ª rodada do Brasileirão. Mas a verdade é que a festa já tem data marcada para acabar: quarta-feira (16), contra o Santos, em uma decisão que pode valer uma semifinal de Copa Sul-Americana. E o time precisa reverter uma desvantagem de dois gols.
O técnico Eduardo Domínguez não escondeu o segredo da virada. Segundo ele, a mudança veio da circulação da bola. O time passou a quebrar linhas de passe e chegar aos lados do campo com mais velocidade. O resultado foi um segundo tempo avassalador, com gols de Reinier, Cuello e do jovem Vitão, de apenas 18 anos.
Por que o Atlético mudou tanto no segundo tempo?
No primeiro tempo, o Galo até tinha a posse de bola, mas fazia muitos passes curtos e lentos. Isso permitia que o Fluminense se organizasse na defesa. Domínguez percebeu o problema e pediu mais agressividade. A conversa no vestiário foi direta: era preciso acelerar as ações ofensivas.
“A conversa era de que estávamos fazendo um jogo correto. Estávamos movimentando bem a bola quando tínhamos a posse, mas um pouco lentamente, porque fazíamos muitos passes curtos. Então, para conseguir ter velocidade no ataque, precisávamos quebrar alguma linha de passe e chegar aos lados mais rapidamente”, explicou o treinador.
E funcionou. Aos 15 minutos do segundo tempo, Cuello encontrou Reinier, que abriu o placar. Dois minutos depois, o próprio Cuello aproveitou erro de Freytes e ampliou. Vitão fez o terceiro, e Rodrigo Castillo descontou para o Flu, já no fim.
Cuello vira dúvida para a decisão contra o Santos
Mas nem tudo são flores. Cuello, um dos protagonistas da vitória, deixou o campo sentindo dores após uma pancada de Guilherme Arana. O atacante será avaliado antes da partida decisiva de quarta-feira. Domínguez, porém, tenta tranquilizar a torcida.
“Ele está com a dor normal de uma pancada. Vamos esperar amanhã e o dia seguinte para ver como se sente e, a partir daí, tomar as decisões”, afirmou.
Galo precisa de uma noite heroica na Arena MRV
A realidade é dura: o Atlético perdeu por 2 a 0 na Vila Belmiro e precisa vencer por dois gols de diferença para levar a decisão aos pênaltis, ou por três para avançar no tempo normal. Domínguez reconhece que o time ficou abaixo do esperado na ida, mas aposta na força da torcida e na experiência do grupo.
“Não fizemos um bom jogo, e o segundo tempo foi ruim na casa deles. Agora jogamos na nossa arena, com o nosso torcedor. Somos fortes aqui e vamos fazer até o impossível para avançar, porque temos a confiança necessária para virar essa situação”, garantiu.
Vitão: a joia da base que brilha no momento certo
Outro nome que ganhou destaque foi Vitão. O zagueiro de 18 anos marcou seu primeiro gol como profissional no dia seguinte a uma nova convocação para a Seleção Brasileira Sub-20. Domínguez não escondeu a satisfação com o jovem, mas preferiu não confirmar se ele será titular na quarta.
“Estou muito contente com ele. O grupo também ficou feliz. Todos comemoraram juntos, inclusive o banco de reservas. Ele está conquistando suas oportunidades e está fazendo muito bem”, disse.
O coletivo acima de tudo
Para Domínguez, o crescimento de jogadores como Cuello e Vitão não é obra do acaso. É fruto de um grupo unido, que se ajuda dentro e fora de campo. O treinador argentino deixou claro que, no Atlético, ninguém é maior que o time.
“Hoje falamos com o grupo que precisamos ajudar o time o tempo todo. Os que entram, os que não entram, os que começam, os que terminam e também aqueles que não têm a oportunidade de mostrar suas capacidades ao torcedor. Todos precisam ajudar o grupo, porque é o grupo que leva você aos lugares”, concluiu.
Agora, é respirar fundo e focar na quarta-feira. A Arena MRV vai ferver, e o Galo promete lutar até o fim. Porque, como diz o próprio Domínguez, “vamos fazer até o impossível”. E a torcida, essa, sabe que impossível é só uma palavra.