Garotinho na sabatina: o que é fato e o que é fake nas promessas do candidato ao governo do Rio
Na manhã desta quinta-feira (10), Anthony Garotinho, candidato ao governo do Rio pelo Republicanos, enfrentou uma hora e meia de perguntas duras dos jornalistas do Valor, O Globo, Extra e CBN. Entre promessas e ataques, o ex-governador repetiu números e histórias que precisam ser conferidos. E a gente foi atrás dos dados para separar o que é verdade do que é pura conversa.
O que Garotinho disse sobre a segurança no Rio?
O candidato afirmou que “oito caminhões são roubados todos os dias” no estado. Isso é #FATO. O Instituto de Segurança Pública (ISP) registrou 3.114 roubos de carga em 2025, e a Federação das Indústrias do Rio (Firjan) confirma a média de oito por dia.
Já quando ele diz que “185 mil carros foram roubados ou furtados” no ano passado, a história é outra. O ISP contabilizou 25.235 roubos e 17.490 furtos de veículos, somando 42,7 mil casos. Ou seja, #FAKE. O número real é quatro vezes menor do que o citado.
E a tal história de juros de 2,5% contra 14%?
Garotinho reclamou que “o cara vai lá fora, pega dinheiro a 2,5% e empresta para o governo a 14%”. Aqui, a checagem diz #NÃOÉBEMASSIM. É verdade que a Selic está em 14% ao ano, decisão do Copom de agosto. Mas não existe uma taxa única de 2,5% para todo mundo lá fora, nem todo investidor empresta ao governo exatamente a 14%. A dívida pública é financiada por fundos, bancos e seguradoras, com prazos e indexadores diferentes. A comparação simplifica demais um sistema complexo.
O que há de verdade na briga com Álvaro Lins?
O ex-governador voltou a atacar o ex-chefe da Polícia Civil, Álvaro Lins, dizendo que o caso começou com um dossiê de um delegado que tentou extorquir a Bayer. #FAKE. O episódio com o delegado Maurício Demétrio, em 2003, na Tribel, empresa do grupo Bayer, existiu, mas não deu origem à investigação contra Lins. A apuração começou com a Operação Gladiador, da Polícia Federal, em dezembro de 2006, que investigava proteção a contraventores. Demétrio foi uma testemunha importante, mas não a única. O processo juntou documentos, depoimentos e interceptações telefônicas.
Garotinho foi preso por quantos dias?
Ele disse que, somando as quatro prisões, não ficou detido 29 dias. #FAKE. Os registros mostram 8 dias em 2016, 13 dias em setembro de 2017 e menos de 24 horas em 2019. Isso dá cerca de 22 dias, mas a conta não fecha com a versão de que “entrava de manhã e saía de tarde”.
E a aprovação de 80% e a eleição da Rosinha?
Garotinho afirmou que saiu do governo com 80% de aprovação no Datafolha. #FAKE. O instituto informou que o maior índice foi de 68%, em junho de 1999. Na última pesquisa, de julho de 2001, a aprovação era de 61%.
Já a parte de que Rosinha ganhou no primeiro turno é #FATO. Ela foi eleita com 51,3% dos votos válidos em 2002. E Garotinho realmente venceu Lula no Rio na eleição presidencial daquele ano, com 42,18% contra 40,17%.
O propinoduto foi descoberto no governo Rosinha?
O candidato disse que o esquema foi descoberto no governo da esposa. #FAKE. O propinoduto, que envolvia fiscais cobrando propina e mandando dinheiro para a Suíça, foi investigado pelo Ministério Público suíço a partir de 2002. O escândalo veio a público em 2003, já na gestão Rosinha, mas as investigações começaram antes. E Rodrigo Silveirinha, apontado como chefe da quadrilha, era subsecretário no governo Garotinho, entre 1999 e 2002.
E as obras e estruturas que ele diz ter criado?
Garotinho listou o ISP, a sede do Bope, o GETAM e o GAM. #FATO para tudo. O ISP foi criado por lei estadual em 1999, no seu governo. A sede do Bope, na Tavares Bastos, foi inaugurada em 2000. O GETAM já atuava em 2000, e o GAM foi ativado em 2002. Mas vale lembrar: o Bope existe desde 1978, ele construiu a sede, não criou o batalhão.
O que fica da sabatina?
Garotinho mistura realizações reais com números inflados e versões convenientes. O eleitor precisa ficar de olho: promessa de palanque é uma coisa, dado oficial é outra. E é com os dados que a gente constrói um Rio mais justo e seguro para o povo trabalhador.