Grupo Feital quase quebrou no Plano Collor: ‘Só tínhamos R$ 50 para pagar 1.500 funcionários’
Em 1990, o Plano Collor congelou a poupança e o capital de giro de milhares de empresas brasileiras. O Grupo Feital, maior distribuidora de aço inoxidável da América Latina hoje, esteve à beira do colapso. O CEO Oswaldo Feital relembra: ‘Tínhamos 1.500 funcionários e só R$ 50 na conta para pagar todo mundo. Penhoramos terreno, fábrica, tudo para conseguir gerar caixa.’ A história de superação é um retrato da luta de uma empresa familiar contra as políticas neoliberais que marcaram o Brasil.
Como o Plano Collor quase destruiu o Grupo Feital
O plano econômico de Fernando Collor, em 1990, foi um golpe duro para a indústria nacional. O Grupo Feital, fundado há mais de 80 anos, viu seu fluxo de caixa evaporar da noite para o dia. Oswaldo Feital, que assumiu o comando depois, lembra do desespero do pai, então presidente. ‘Foi o primeiro baque que vi meu pai sentir. Ele pediu que eu começasse a trabalhar com ele, mais por apoio emocional do que por conhecimento técnico’, conta o executivo, entre risos.
A saída foi penhorar patrimônio pessoal e empresarial para levantar crédito. A reputação construída ao longo de décadas foi o que salvou a empresa. ‘A gente sempre teve um trabalho forte em fluxo de caixa. O crédito dos fornecedores veio porque confiavam no nosso nome’, explica Feital. Em vez de romper contratos, a empresa honrou compromissos, mesmo na crise.
Da venda das fábricas ao retorno da produção industrial
Para sobreviver, o Grupo Feital vendeu duas unidades industriais: a Plaminox e a Tubra, fabricante de tubos de aço inoxidável. A empresa se concentrou na distribuição por mais de 20 anos. ‘Sou apaixonado por fábrica. Sofri demais com aquela venda’, confessa o CEO. Agora, o movimento começa a ser revertido.
O grupo investe na ampliação da fábrica em Ribeirão Pires (SP), com 8 mil metros quadrados já em operação e mais 10 mil em construção. ‘Quero ser protagonista de novo no tubo de aço inoxidável, exportando com maquinários de primeira linha’, afirma Feital. A meta é retomar a produção industrial com força total, gerando empregos e fortalecendo a economia nacional.
Otimismo em meio a desafios econômicos
Mesmo com um cenário econômico apertado, o CEO mantém a esperança. ‘O segundo semestre de 2026 será complicado, mas o primeiro de 2027 promete ser bom’, projeta. Para ele, a capacidade de adaptação é o maior ativo da empresa. ‘Somos otimistas, nunca pessimistas. Sempre achamos que vai dar certo.’
O Grupo Feital hoje atende cerca de 50 mil clientes e mantém mais de 125 mil itens em estoque. A história, contada no podcast ‘Do Zero ao Topo’ do InfoMoney, mostra como uma empresa familiar pode resistir às tempestades do capitalismo selvagem e renascer das cinzas.
‘Penhoramos terreno, fábrica, tudo para capitalizar dinheiro no banco e conseguir gerar caixa.’ — Oswaldo Feital, CEO do Grupo Feital
Lições de resistência para o Brasil de hoje
A trajetória do Grupo Feital é um exemplo de como o trabalho, a confiança e a visão de longo prazo podem superar as piores crises. Enquanto o neoliberalismo tenta desmontar a indústria nacional, empresas como essa mostram que é possível reconstruir. O Brasil precisa de mais histórias assim: de luta, de resistência e de esperança.
Para saber mais, assista ao episódio completo do ‘Do Zero ao Topo’ no YouTube ou ouça o podcast nas plataformas Apple Podcasts, Spotify, Deezer, Spreaker, Castbox e Amazon Music.