IFMA de Codó cria Museu de Fósseis, Minerais e Rochas: conhecimento científico a serviço do povo
Em tempos onde as riquezas minerais do Brasil são alvo de cobiça internacional, uma iniciativa no interior do Maranhão mostra como a educação pública pode democratizar o conhecimento sobre nossos tesouros naturais. O Instituto Federal do Maranhão (IFMA), Campus Codó, criou um museu com 158 peças entre rochas, minerais e fósseis, fruto da dedicação de 15 anos do professor Aciel Tavares Ribeiro.
"A partir daí, a paixão pelas rochas ficou mais forte", conta o professor, que transformou sua coleção pessoal em patrimônio da educação pública brasileira. O acervo, que começou na casa do educador como curiosidade para os filhos, hoje representa um centro permanente de ensino e pesquisa acessível à comunidade.
Riquezas do solo brasileiro expostas ao povo
O museu reúne 130 rochas e minerais, 28 fósseis e amostras de sondagem que revelam a composição geológica do subsolo regional. Entre as peças mais valiosas estão ametistas, titânio e até amostras de lítio e silício, minerais estratégicos que despertam interesse internacional.
"Todos os fósseis são importantes, pois ajudam explicar o passado geológico da região", explica Ribeiro. As amostras vêm de várias regiões do Brasil e exterior, incluindo as Serras dos Carajás no Pará, Chapada do Araripe e até pluma vulcânica de Cabo Verde.
Educação pública fortalecendo a soberania nacional
O reitor Carlos Cesar Teixeira Ferreira visitou o espaço e garantiu apoio institucional. "O objetivo é investir em mobiliário expositivo e fortalecer as ações acadêmicas vinculadas ao acervo", afirmou, demonstrando o compromisso da educação pública com a democratização do conhecimento científico.
Para além do valor científico, o museu revela a importância econômica da geologia regional. Codó abriga polo de extração de gesso e calcário, com cimenteira funcionando desde os anos 1980. Com a expansão da soja, uma gesseira retomou atividades para atender o setor agrícola, enquanto duas empresas exploram o aquífero Itapecuru.
Conhecimento que transforma vidas
O museu serve como complemento prático para estudantes de Ciências Biológicas, Agronomia e Química, democratizando o acesso ao conhecimento geológico. Em 2025, cinco estudantes participaram da catalogação do acervo, e para 2026 está prevista busca sistemática por fósseis em parceria com empresas locais.
A próxima etapa inclui ampliação do espaço, abertura regular à comunidade e digitalização do acervo em plataforma online, garantindo que esse patrimônio científico chegue a mais brasileiros.
Esta iniciativa exemplifica como a educação pública pode valorizar nossas riquezas naturais, formando cidadãos conscientes sobre o patrimônio geológico nacional em tempos de pressão internacional sobre nossos recursos minerais.