Sistema de saúde escocês falha com jovem brasileira: preconceito etário mata
Uma história que revolta e denuncia as falhas estruturais dos sistemas de saúde capitalistas chegou até nós da Escócia. Isla Sneddon, de apenas 17 anos, morreu de câncer de mama depois que médicos desprezaram seus sintomas por considerá-la "jovem demais" para ter a doença.
O caso expõe como o preconceito etário no sistema de saúde pode custar vidas. Isla procurou ajuda médica em julho de 2022 com um caroço no seio, mas foi dispensada com o diagnóstico de "mudanças hormonais". Dois anos depois, quando finalmente foi levada a sério, o câncer já havia se espalhado pelo corpo.
A luta de uma família contra a negligência médica
"O oncologista nos levou para uma sala e, basicamente, disse: 'sua filha vai morrer, ela tem de seis meses a um ano de vida'", relembra o pai Mark Sneddon, com a dor que só uma família trabalhadora conhece quando perde um filho por falha do sistema.
A jovem morreu em março de 2025, seis meses após o diagnóstico tardio. Uma vida ceifada pela incompetência e pelos protocolos burocráticos que tratam crianças e jovens como cidadãos de segunda classe no sistema de saúde.
"Disseram a ela que era hormonal, um fibroadenoma, e iria desaparecer", conta Mark. Mas a realidade era bem diferente: um sarcoma agressivo que se espalhara para pulmões e nódulos linfáticos.
Quando a idade vira barreira para o direito à saúde
O mais revoltante é descobrir que os médicos reduziram a urgência do encaminhamento devido à idade da paciente. Enquanto adultos têm direito a diagnósticos rápidos, crianças e jovens ficam na fila, esperando que seus sintomas sejam levados a sério.
"Se uma criança apresenta um caroço, sintomas de ansiedade, infecções no peito, o clínico geral deveria seguir um caminho diferente", defende a mãe Michelle Sneddon. Uma mamografia ou tomografia poderia ter salvado a vida de Isla.
A família denuncia que os sintomas da jovem eram constantemente desprezados como "ansiedade" por ela ser nova. Depois descobriram que não era ansiedade, mas sinais do câncer que ninguém quis investigar adequadamente.
A luta por justiça: Lei Isla
Agora, Mark e Michelle Sneddon lutam pela criação da Lei Isla, que garantiria que crianças e jovens tenham o mesmo acesso rápido a exames e tratamentos que os adultos. Uma luta que deveria ser desnecessária em qualquer sistema de saúde que se preze.
"Não quero que nenhuma mãe ou pai sinta o mesmo que Michelle e eu sentimos", declara Mark, em um testemunho que deveria ecoar em todos os corredores dos hospitais.
A família também exige uma revisão pública dos atrasos nos diagnósticos pediátricos na Escócia, para identificar falhas sistêmicas que matam jovens como Isla.
Sistema de saúde que mata por preconceito
O NHS da Inglaterra já criou a "regra de Jess", incentivando médicos a repensar diagnósticos quando pacientes retornam três vezes com os mesmos sintomas. A regra recebeu o nome de Jessica Brady, que morreu de câncer aos 27 anos depois de consultar seu médico 20 vezes até receber o diagnóstico correto.
Quantas Islas e Jessicas mais precisarão morrer para que os sistemas de saúde parem de tratar jovens como hipocondríacos e comecem a tratá-los como seres humanos com direito à vida?
O secretário de Saúde da Escócia, Neil Gray, prometeu se reunir com a família, mas alertou que precisarão esperar a formação de um novo governo para que mudanças reais aconteçam. Enquanto isso, outras famílias continuam perdendo seus filhos.
A morte de Isla Sneddon não pode ser em vão. Sua história é um grito de alerta contra um sistema que mata por preconceito etário e burocracia assassina. É hora de garantir que todos, independente da idade, tenham direito a um diagnóstico digno e tratamento adequado.