Mãe treina na esteira com bebê de 5 meses no colo, apanha na internet e responde: 'Não existe jeito certo de ser mãe'
Uma mãe de Utah, nos Estados Unidos, virou alvo de uma enxurrada de ataques virtuais depois de compartilhar um vídeo em que treina na esteira segurando a filha de cinco meses no colo. Angela Holm, de 29 anos, mãe de cinco filhos, não se calou diante das críticas e respondeu com uma lição dura sobre o julgamento que recai sobre as mães.
O vídeo, publicado no início de agosto, mostra Angela chegando à academia às 21h10 com a pequena Zayla em um carrinho. Quando a menina começou a chorar, a mãe a colocou em um canguru preso ao peito e continuou caminhando até encerrar o treino por volta das 22h15. Na legenda, escreveu: “Como é fazer um treino pós-parto com o meu bebê”.
O que era para ser um registro do cotidiano virou um tribunal virtual. Nos comentários, uma enxurrada de julgamentos: “Muito perigoso. A academia é nosso espaço e o bebê deveria estar dormindo em casa. A ginástica pode esperar, que triste”, escreveu uma seguidora. Outra questionou: “Por que o pai não pode ficar com o bebê por uma hora?”. Houve até quem perguntasse, com um tom acusatório: “Quem vai cuidar da comida em casa, das crianças, das roupas para lavar? Será que outra pessoa fez ou foi você que fez tudo sozinha?”.
Mãe rebate ataques: “Estava caminhando devagar e com cuidado”
Em entrevista ao Daily Mail, Angela respondeu às acusações de colocar a filha em perigo. “Jamais faria intencionalmente algo que a colocasse em perigo”, garantiu, afirmando estar sempre “muito atenta a onde ela está e ao que acontece ao redor”.
Sobre o treino, explicou: “Eu estava caminhando devagar e com cuidado, não correndo nem fazendo um treino intenso enquanto a carregava”. Ela também rebateu a acusação de egoísmo: “Não acho que uma mãe tirar um pouco de tempo para cuidar de si mesma a torna egoísta. Eu ainda estou cuidando do meu bebê, ao mesmo tempo em que faço algo que me faz sentir bem e saudável”.
Maternidade real: a luta diária das mães que não têm rede de apoio
Angela contou que só consegue treinar porque leva a filha consigo. “Comecei a levar a Zayla à academia comigo quando me senti pronta para voltar a treinar no pós-parto”, explicou. “Como mãe de cinco filhos, às vezes, levar meu bebê comigo é o que torna possível eu conseguir treinar. Ela mama no peito, então é mais fácil se eu a levo comigo e faço pausas para amamentar quando preciso”.
Essa realidade é familiar para milhões de mães brasileiras, que muitas vezes não contam com creches públicas, rede de apoio ou condições de contratar ajuda. A maternidade real, longe dos filtros das redes sociais, é feita de malabarismos diários para dar conta de tudo. E, ainda assim, a cobrança sobre as mães é implacável.
“Estamos todas descobrindo o que funciona para as nossas próprias famílias”
Angela afirmou que não esperava tamanha repercussão. “Honestamente, achei que estava só compartilhando uma parte normal do meu dia, então fiquei muito surpresa com a atenção que o vídeo recebeu e com a força com que as pessoas reagiram”. Mesmo assim, disse não se abalar.
“Todo mundo cria os filhos de um jeito diferente, e o que funciona para uma mãe ou família pode não funcionar para outra”, concluiu. “Eu conheço meu bebê, sei do que me sinto confortável, e a segurança dela é sempre minha prioridade. Não existe um jeito certo de ser mãe. Estamos todas descobrindo o que funciona para as nossas próprias famílias. Você não precisa concordar com tudo o que outra mãe faz, mas isso não significa que ela mereça ser destruída por isso”.
Julgamento virtual: a violência cotidiana contra as mães
O caso de Angela escancara uma violência silenciosa e cotidiana: o julgamento implacável que recai sobre as mães, especialmente as que não se encaixam no padrão idealizado. Seja por voltar ao trabalho cedo, por não amamentar, por pedir ajuda ou por levar o bebê à academia, a mãe é sempre cobrada. E, no Brasil, essa cobrança é ainda mais cruel com as mães pobres, negras e periféricas, que não têm o privilégio de escolher.
Em vez de apontar o dedo, que tal reconhecer que a maternidade é uma jornada solitária em uma sociedade que oferece pouquíssimo apoio? A culpa não é das mães. A culpa é de um sistema que as abandona e depois as julga.
Perguntas frequentes sobre o caso
É seguro treinar na esteira com um bebê no colo?
Especialistas recomendam cautela. Caminhar em ritmo lento e com atenção redobrada pode ser aceitável, mas é fundamental garantir a estabilidade da criança e evitar qualquer exercício de alto impacto. Cada caso deve ser avaliado individualmente.
O que dizem os especialistas sobre levar bebês à academia?
Pediatras alertam para o risco de exposição a germes em ambientes públicos e recomendam que os pais avaliem os benefícios e riscos. No caso de Angela, ela afirmou ter o mesmo cuidado que teria em qualquer outro lugar público.
Por que o caso gerou tanta polêmica?
O caso toca em um tema sensível: a pressão social sobre as mães. Muitas pessoas se sentem no direito de julgar as escolhas alheias, especialmente quando envolvem crianças, sem conhecer o contexto completo da família.
Foto: revistacrescer.globo.com