Soberania em jogo: movimentos brasileiros vão a Washington barrar interferência dos EUA nas eleições
Enquanto a extrema direita tenta se alinhar com Trump e seus aliados para desestabilizar o processo eleitoral brasileiro, uma comitiva de mais de 15 organizações da sociedade civil desembarcou em Washington nesta semana. O objetivo é claro: impedir qualquer interferência estrangeira nas eleições que vão definir o próximo presidente do Brasil.
Liderada pelo Washington Brazil Office, a missão reúne entidades como a Central Única dos Trabalhadores (CUT), o Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), o Instituto Marielle Franco, o Instituto Vladimir Herzog, a Comissão Arns e o Odara – Instituto da Mulher Negra, entre outras. Todas unidas em defesa da soberania nacional e da democracia.
Por que a comitiva foi aos Estados Unidos?
A viagem acontece em um momento crítico. O pré-candidato Flávio Bolsonaro (PL) já viajou cinco vezes para os EUA neste ano, a última delas no início de julho. Ao lado do irmão Eduardo Bolsonaro, que vive em Washington desde 2025, e do influenciador Paulo Figueiredo, eles pedem que o governo Trump e parlamentares republicanos pressionem as autoridades brasileiras. O alvo principal? A condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro por tentativa de golpe de estado.
Em março, no evento conservador CPAC, Flávio pediu abertamente: “Observem as eleições do Brasil com enorme atenção. Monitorem a liberdade de expressão do nosso povo.” Uma declaração que, na prática, abre as portas para a ingerência estrangeira.
O que os movimentos sociais estão exigindo?
O diretor do IP.rec (Instituto de Pesquisa em Direito e Tecnologia do Recife), André Fernandes, explica que a missão tem dois eixos centrais. O primeiro é defender o princípio da não ingerência em assuntos internos do Brasil. O segundo é alertar sobre o papel das plataformas digitais e da inteligência artificial na amplificação da violência política, especialmente contra mulheres, pessoas negras e outros grupos historicamente vulnerabilizados.
“Defendemos que o avanço de sistemas de inteligência artificial e das grandes plataformas não pode enfraquecer a soberania regulatória do Brasil nem se sobrepor às decisões democráticas tomadas pelo país”, disse Fernandes.
Com quem a comitiva vai se reunir?
A agenda inclui encontros com deputados democratas como Mark Pocan, Joaquin Castro, Chuy García e Jonathan Jackson. Também estão previstas reuniões com assessorias de Jim McGovern, Sydney Kamlager-Dove, Tim Kaine e Peter Welch. Há a expectativa de um encontro com um deputado republicano, cujo nome ainda não foi divulgado.
Além disso, a comitiva deve dialogar com a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), da OEA, representantes da Embaixada do Brasil e outras organizações da sociedade civil. Foi solicitada uma reunião com representantes do governo americano, mas até agora não houve resposta.
O que está em jogo para o Brasil?
Para o IP.rec, a mensagem é direta: o processo eleitoral brasileiro deve ser respeitado. Governos estrangeiros e empresas de tecnologia precisam observar a soberania do país. Em um cenário onde a extrema direita busca apoio internacional para deslegitimar as urnas e atacar as instituições, a missão reafirma que o povo brasileiro não aceitará interferências.
Como bem lembra a CUT, o MTST e a Apib, a luta pela democracia é também uma luta contra o neoliberalismo, o racismo e a violência política. E essa luta não tem fronteiras.
FAQ: Perguntas frequentes sobre a missão em Washington
Por que os movimentos sociais foram aos EUA?
Para defender a soberania brasileira e impedir interferências estrangeiras nas eleições, especialmente após a escalada de viagens de Flávio e Eduardo Bolsonaro a Washington pedindo pressão contra as instituições brasileiras.
Quem está participando da comitiva?
Cerca de 15 organizações, incluindo CUT, MTST, Apib, Instituto Marielle Franco, Instituto Vladimir Herzog, Comissão Arns, IP.rec, Odara, entre outras, lideradas pelo Washington Brazil Office.
O que eles querem dos parlamentares americanos?
Dialogar para que respeitem o processo eleitoral brasileiro e não apoiem tentativas de desestabilização. Também alertam sobre o uso de plataformas digitais e IA para amplificar violência política.
Há risco de interferência de Donald Trump?
O foco da missão é defender o princípio da não ingerência, mas a presença de Eduardo Bolsonaro e Paulo Figueiredo em Washington, pedindo pressão contra a condenação de Jair Bolsonaro, acende o alerta.