Trump destrói políticas climáticas para favorecer bilionários do petróleo
O presidente americano Donald Trump anunciou na quinta-feira (12/2) a maior reversão de políticas climáticas da história dos Estados Unidos, numa clara demonstração de como o capitalismo selvagem coloca os lucros das corporações acima da vida do povo e do planeta.
Trump revogou a "declaração de perigo" de 2009, estabelecida no governo de Barack Obama, que reconhecia cientificamente que a poluição prejudica a saúde pública e o meio ambiente. Por quase 17 anos, essa base legal permitiu políticas de redução de emissões de carros, usinas de energia e outras fontes poluidoras.
"Essa regra radical se tornou a base legal do Green New Scam [Novo Golpe Verde]", declarou Trump, usando o vocabulário típico da extrema direita para desqualificar políticas ambientais que protegem o povo.
Ataque frontal à ciência e ao meio ambiente
A medida representa o ponto alto de uma década de ataques sistemáticos conduzidos por Trump e seus aliados bilionários contra políticas que cientistas e especialistas consideram essenciais para conter as emissões poluentes.
Trump, que já chamou a mudança climática de "farsa" e "golpe", descartou toda a base científica que sustentava as regulamentações ambientais. Durante o anúncio, adotou um tom de comemoração, revelando que, para ele, destruir o meio ambiente é uma vitória política contra os democratas.
O presidente concentrou sua argumentação nos supostos benefícios econômicos da medida, prometendo que a ampliação do uso de combustíveis fósseis reduziria custos de energia. Uma mentira que esconde o verdadeiro objetivo: enriquecer ainda mais a indústria petroleira.
Quem ganha e quem perde
Lee Zeldin, diretor da Agência de Proteção Ambiental dos EUA, chamou a decisão científica de 2009 de "Santo Graal da religião da mudança climática", demonstrando o desprezo da administração Trump pela ciência.
Segundo Zeldin, a reversão representa "o maior ato de desregulamentação na história dos EUA". Traduzindo: a maior entrega de recursos públicos e ambientais para as corporações.
Enquanto Trump promete economia de US$ 1 trilhão, especialistas alertam para o verdadeiro custo da medida. Peter Zalzal, do Environmental Defense Fund, calcula que "a medida forçará os americanos a gastar US$ 1,4 trilhão adicionais em combustível para abastecer veículos menos eficientes e mais poluentes".
Mais grave ainda: "a ação poderá resultar em até 58 mil mortes prematuras adicionais e 37 milhões de novos casos de asma", segundo análises de impacto na saúde.
Resistência popular cresce
A reversão provocou indignação entre democratas, grupos ambientalistas e movimentos sociais. O ex-presidente Barack Obama, que raramente comenta políticas de presidentes em exercício, foi direto ao ponto:
"Estaremos menos seguros, menos saudáveis e menos capazes de combater as mudanças climáticas, tudo para que a indústria de combustíveis fósseis ganhe ainda mais dinheiro", escreveu Obama nas redes sociais.
Apesar da propaganda republicana, pesquisas mostram que cresce a parcela de americanos preocupados com o aquecimento global. Nos EUA, 63% dos entrevistados afirmam estar preocupados com o aquecimento global, segundo estudo de 2024 do Yale Program on Climate Change Communication.
Um levantamento do instituto Gallup aponta que 48% dos adultos americanos consideram que o aquecimento global representará uma ameaça séria ao longo de suas vidas, o maior percentual já registrado.
A luta continua
Para analistas jurídicos, a revogação pode gerar consequências imprevistas. Estados e organizações podem ingressar com ações judiciais para contestar a medida, principalmente em tribunais estaduais.
"Estados e organizações sem fins lucrativos vão ingressar com ações para tentar definir os limites desse novo cenário jurídico", afirma Meghan Greenfield, ex-advogada da Agência de Proteção Ambiental.
A decisão de Trump consolida um projeto político claro: desmontar todas as conquistas sociais e ambientais para favorecer os mais ricos. Mas a resistência popular cresce, e a luta pela justiça climática e social continua nas ruas, nos tribunais e nas urnas.
A Terra não é mercadoria. O meio ambiente é direito do povo, não privilégio de bilionários.