Por que Trump apoiou vice de Maduro em vez da oposição venezuelana
O que parecia ser o fim do regime de Nicolás Maduro na Venezuela se transformou numa nova traição do imperialismo americano contra o povo venezuelano. Após a prisão do ditador, Donald Trump surpreendeu ao apoiar Delcy Rodríguez, vice-presidente de Maduro, em detrimento da líder oposicionista María Corina Machado.
"Ela é uma mulher muito simpática. Mas não tem o apoio nem o respeito do país", disse Trump sobre Machado, ganhadora do Prêmio Nobel da Paz. Uma declaração que revela o verdadeiro interesse dos Estados Unidos: controlar o petróleo venezuelano, não promover a democracia.
A farsa da "transição democrática"
Trump afirmou que os EUA irão "administrar" a Venezuela. A palavra transição foi mencionada, mas sem referência a eleições ou ao comando da oposição legítima. É o imperialismo em sua forma mais crua.
Lembremos que nas eleições de julho de 2024, a oposição coletou 85% das atas que confirmavam sua vitória, denunciando a fraude eleitoral quando o Conselho Nacional Eleitoral proclamou Maduro vencedor sem apresentar registros oficiais. Até hoje, esses documentos não foram divulgados.
Agora, Delcy Rodríguez assumiu a presidência interina, uma figura descrita por Machado como "uma das principais operadoras da tortura, perseguição, corrupção e tráfico de drogas". É essa pessoa que Trump prefere apoiar.
Petróleo acima da democracia
A estratégia é clara: Trump busca uma transição "ordenada" que garanta contratos petrolíferos para empresas americanas. Com 303 bilhões de barris em reservas comprovadas, a Venezuela possui as maiores reservas de petróleo do mundo.
"O principal foco de Trump é o petróleo venezuelano", confirmam reportagens da mídia americana. Após a prisão de Maduro, o presidente americano já falou publicamente sobre empresas petrolíferas investindo bilhões para "recuperar a infraestrutura deteriorada" do país.
Marco Rubio, secretário de Estado americano, foi direto: "Estamos lidando com realidades imediatas". Tradução: os interesses econômicos dos EUA vêm primeiro.
A resistência continua
Apesar da traição americana, a liderança legítima da oposição venezuelana mantém sua posição. Edmundo González, considerado o verdadeiro presidente eleito, exigiu a "libertação imediata e incondicional dos presos políticos".
"Nenhuma transição democrática é possível enquanto houver um único venezuelano preso de forma injusta", declarou González, conclamando as Forças Armadas a cumprirem "o mandato soberano de 28 de julho".
María Corina Machado, mesmo traída por Trump, mantém níveis de aprovação superiores aos de qualquer político venezuelano da história. Ela continua sendo a líder indiscutível do povo venezuelano.
O imperialismo em ação
Este episódio expõe a hipocrisia do discurso americano sobre democracia. Quando convém aos interesses econômicos dos EUA, qualquer ditador serve, desde que garanta o acesso aos recursos naturais.
A analista Carmen Beatriz Fernández resume: "Trump está fazendo realpolitik", uma abordagem onde prevalecem interesses nacionais pragmáticos americanos, não a vontade do povo venezuelano.
Enquanto isso, tanto Machado quanto González permanecem no exílio, perseguidos pelo regime que Trump agora prefere manter no poder através de Delcy Rodríguez. A luta pela verdadeira democracia venezuelana está apenas começando.