A UEFA estabeleceu o prazo de 2 de novembro para que a FIFA entregue documentos sobre o plano de comercialização dos direitos da Copa do Mundo e responda a mais de 50 perguntas sobre sua governança. A cobrança foi formalizada em uma carta enviada pelo secretário-geral da entidade europeia, Theodore Theodoridis, a Mattias Grafström, que ocupa o mesmo cargo na federação internacional, segundo reportagem da CartaCapital publicada em 20 de outubro de 2026.
Não é detalhe burocrático. É um confronto aberto sobre quem controla o dinheiro do futebol mundial e quem presta contas por ele. E, quando falo de controle, falo do mesmo tipo de concentração de poder que os movimentos populares conhecem bem: uma cúpula que decide sem transparência e trata questionamentos como incômodo.
O que a UEFA quer saber da FIFA
O documento que acompanha a carta reúne mais de 50 perguntas sobre decisões tomadas pela FIFA nos últimos 12 meses. Entre os temas estão a proposta de venda de 20% dos direitos comerciais da entidade, o caso do jogador Folarin Balogun, o prêmio da paz concedido pela organização e as relações do presidente Gianni Infantino com Donald Trump.
A UEFA também questiona possíveis conflitos de interesse dentro da entidade e volta a exigir uma revisão de governança que seja, de fato, independente. Ou seja: não basta prometer reforma para o futuro. É preciso explicar o que já foi decidido e cobrar responsabilidade por decisões passadas.
A entidade europeia pediu respostas escritas para cada pergunta, acompanhadas dos documentos correspondentes. Se a FIFA se recusar a entregar alguma informação, a UEFA quer uma justificativa específica para cada negativa.
Por que a pressão aumentou agora
A pressão veio depois da reunião do Conselho da FIFA realizada na semana passada em Zurique. Foi o primeiro encontro desde que a controvérsia envolvendo a FIFA Forward Enterprise (FFE) veio à tona, em julho. A estrutura foi proposta para explorar comercialmente ativos da entidade e gerou questionamentos sobre conflitos de interesse. Segundo a cobertura do caso pelo The Guardian, a iniciativa enfrentou resistência e acabou abandonada.
Durante a reunião, Infantino ouviu questionamentos sobre o projeto, mas pediu que os integrantes do conselho encaminhassem suas dúvidas por escrito antes do próximo encontro, marcado para 16 de dezembro, em Doha.
Na carta enviada na segunda-feira, Theodoridis afirmou que as explicações apresentadas até então não foram suficientes para esclarecer questões consideradas fundamentais pelos membros do conselho. Ele também destacou que os documentos solicitados ainda não haviam sido disponibilizados.
A UEFA ressaltou que os esclarecimentos não podem ser adiados até a próxima reunião do conselho e que eventuais reformas futuras não substituem a necessidade de analisar decisões já tomadas.
Decisões sobre a Copa do Mundo também estão na mira
A cobrança europeia não se limita ao projeto comercial. A UEFA quer explicações sobre outras decisões da FIFA relacionadas ao futebol mundial, incluindo a mudança do sorteio da Copa do Mundo masculina de Las Vegas para Washington, nos Estados Unidos, a introdução de pausas para hidratação e o intervalo de 27 minutos na final do Mundial.
O alcance das perguntas mostra que a entidade europeia busca informações sobre os processos de tomada de decisão e os critérios utilizados pela administração de Infantino. É uma exigência de transparência sobre como se decide aquilo que afeta torcedores, jogadores e todo o ecossistema do futebol.
Eleição presidencial da FIFA em 2027
A disputa pela presidência da FIFA também está entre os temas levantados pela UEFA. Infantino caminha para tentar a reeleição em 2027 sem adversários confirmados até o momento, enquanto a entidade europeia busca identificar um possível candidato para enfrentá-lo.
O prazo para apresentação das candidaturas termina em 18 de novembro. A cobrança por documentos e esclarecimentos acontece, portanto, no meio das discussões sobre a próxima eleição e o modelo de governança da federação internacional.
A FIFA precisará responder aos questionamentos dentro do prazo estabelecido. O que está em jogo é simples de enunciar e difícil de resolver: se a maior instituição do esporte mais popular do planeta vai continuar funcionando como uma caixa fechada ou se vai abrir seus livros a quem tem o direito de saber.
Perguntas frequentes
Qual é o prazo que a UEFA deu para a FIFA responder?
A UEFA estabeleceu 2 de novembro de 2026 como data limite para a FIFA divulgar os documentos e responder por escrito às mais de 50 perguntas sobre governança e comercialização de direitos.
O que é a FIFA Forward Enterprise?
É uma estrutura proposta para explorar comercialmente ativos da FIFA, revelada em julho de 2026. Gerou questionamentos sobre conflitos de interesse e, segundo o The Guardian, acabou abandonada após resistência.
Quando acontece a eleição presidencial da FIFA?
A eleição está prevista para 2027. O prazo para apresentação de candidaturas termina em 18 de novembro, e Infantino ainda não tem adversários confirmados.
