Dívida de R$ 2,7 bilhões e a saída polêmica: Corinthians fecha com site adulto e divide o Brasil
O Corinthians, sufocado por uma dívida que já passou dos R$ 2,7 bilhões, assinou o maior patrocínio da história do futebol brasileiro. Mas a parceira não é um banco ou uma multinacional: é a Fatal Fans, plataforma de conteúdo adulto. O acordo, de R$ 22 milhões, deu um respiro financeiro ao clube, mas acendeu um debate nacional sobre ética, proteção infantil e os limites da necessidade no esporte.
O contrato vai até o fim de 2027, com possibilidade de ir até 2028, podendo chegar a mais de R$ 31 milhões. A marca vai estampar o calção do time principal, as costas do uniforme de basquete e a barra da camisa do futsal. Uma injeção de dinheiro que, segundo o clube, salvou modalidades ameaçadas de extinção, como o futsal e o basquete.
Como a Fatal Fans entrou no jogo?
Samuel Ongaratto, diretor de negócios da Atlas Technologies (controladora da Fatal Fans e do site de acompanhantes Fatal Model), revelou que a primeira tentativa de parceria foi em 2022. “A gestão da época negou prontamente, deixando claro que a parceria era impensável”, conta. O que mudou foi o lançamento da Fatal Fans, uma marca com apelo público menos controverso. “Percebemos que a marca teria uma recepção mais amigável perante a sociedade”, explica.
O dinheiro que salvou o clube, mas dividiu a torcida
Para o Corinthians, o acordo foi uma tábua de salvação. A patrocinadora pagou cerca de quatro vezes o valor de mercado, com uma cláusula que obriga o repasse de mais de 60% do valor nos primeiros meses. Esse dinheiro adiantado permitiu ao clube quitar uma multa da Fifa e encerrar o bloqueio para contratações. “Estruturamos um aporte de R$ 14 milhões nos primeiros 120 dias para atender às necessidades mais urgentes”, detalha Ongaratto.
Mas a repercussão foi dura. Uma petição contrária ao patrocínio reuniu mais de 63 mil assinaturas e levou o caso ao Ministério Público. A alegação: a exposição da marca despertaria em crianças e adolescentes curiosidade precoce sobre conteúdo pornográfico. Deputadas como Sâmia Bomfim e Marina Helou protocolaram projetos de lei para proibir esse tipo de publicidade em espaços esportivos e áreas públicas.
Time feminino fica de fora: proteção ou estratégia?
Um detalhe chamou a atenção: o time feminino de futebol ficou de fora da exposição da marca adulta. No calção das jogadoras, o espaço foi ocupado pela campanha “Respeita As Minas”. Para especialistas, foi uma forma de proteger a imagem do clube. Ongaratto discorda: “O setor de projetos sociais condicionou a aprovação da parceria ao repasse de recursos. Percebemos que o projeto refletia valores que nos unem, pois o respeito está ligado à nossa luta contra o preconceito. Afinal, qualquer pessoa que exerça uma profissão legal e digna merece ser respeitada”.
O que isso diz sobre o futebol brasileiro?
O caso Corinthians-Fatal Fans é um retrato do futebol brasileiro hoje. Com o afastamento de patrocinadores tradicionais e o endividamento crescente, setores estigmatizados e pouco regulamentados encontram nas camisas e calções uma vitrine de visibilidade. A pergunta que fica é: até onde a necessidade financeira pode ir sem comprometer os valores que sustentam a relação entre um clube e sua torcida?
Enquanto isso, a torcida corintiana, conhecida por sua paixão e resistência, se vê dividida entre o alívio financeiro e a defesa de princípios. O debate está longe de acabar.
Perguntas frequentes sobre o patrocínio do Corinthians
Por que o Corinthians fechou com a Fatal Fans?
O clube estava pressionado por uma dívida de até R$ 2,7 bilhões e precisava de dinheiro urgente para quitar multas da Fifa e liberar contratações. A Fatal Fans pagou quatro vezes o valor de mercado, com 60% do valor adiantado nos primeiros meses.
O que diz a lei sobre publicidade de conteúdo adulto no esporte?
Não há uma lei federal específica, mas projetos de lei foram protocolados por deputadas como Sâmia Bomfim e Marina Helou para proibir esse tipo de publicidade em espaços esportivos e áreas públicas. O caso também foi levado ao Ministério Público.
O time feminino do Corinthians vai usar a marca?
Não. O time feminino ficou de fora da exposição da marca adulta. No calção das jogadoras, o espaço foi ocupado pela campanha “Respeita As Minas”, financiada com recursos da parceria.