El Niño ameaça preços de arroz, carne e trigo: governo Lula age para proteger mesa do povo
O governo federal está de olho no céu e na mesa do povo brasileiro. Com a ameaça de um El Niño forte nos próximos meses, o Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar já se movimenta para evitar que o clima derrube a produção e empurre para cima os preços de itens essenciais como arroz, milho, carne e trigo. A ministra Fernanda Machiaveli, em entrevista exclusiva ao R7 Planalto, detalhou as ações emergenciais e não poupou críticas ao desmonte das políticas agrícolas na gestão anterior.
Enquanto o mundo enfrenta a maior inflação de alimentos em três anos, o Brasil celebra o terceiro mês consecutivo de deflação nesse setor. Mas a ministra alerta: o fenômeno climático pode atingir o país de formas diferentes, e é preciso agir agora para garantir comida na mesa e preço justo.
Como o El Niño pode afetar a produção de alimentos no Brasil?
Os efeitos do El Niño não serão uniformes. Na região Sul, o foco é proteger as lavouras de trigo e arroz. Já no Nordeste, o temor é a estiagem, que pode encarecer as proteínas. A explicação é simples: sem chuva, falta milho, e sem milho, falta comida para o gado, o que derruba a produção de leite, ovos e carne.
“Na região Sul, a preocupação é trigo e arroz. Na região Nordeste, especialmente pelo risco de uma eventual estiagem, estamos preocupados com riscos no preço das proteínas, porque impacta a safra do milho e, consequentemente, não tem alimento para o gado, e isso causa menor produção de leite, ovos e carne”, explicou a ministra.
Governo compra milho e arroz para segurar preços e abastecer estoques
Para não deixar o preço disparar, o governo já comprou 190 mil toneladas de milho para abastecer o Programa de Venda em Balcão, garantindo insumo para os pequenos criadores, principalmente no Nordeste. A compra de arroz também foi antecipada, e novas aquisições estão previstas.
“Minimizamos o risco na região Nordeste de pressão no preço dos alimentos por falta de insumo para alimentação animal, garantindo o milho”, afirmou Fernanda.
A ministra revelou que os produtores de arroz já estão estocando o grão, esperando o melhor momento para vender, o que já pressiona os preços. “Trigo e arroz seguem como uma preocupação”, completou.
Carne: produção menor, mas oferta interna garantida
No caso das carnes, a expectativa é de queda na produção. Além do El Niño, os pecuaristas estão retendo as fêmeas para procriação, já que o preço do bezerro está compensando. Mas há um alívio: a queda nas exportações para a China, por exemplo, aumenta a oferta no mercado interno.
Preço dos alimentos: governo Lula na contramão do mundo
A ministra rebateu as críticas da oposição sobre os preços dos alimentos e apresentou dados para contextualizar o cenário. Segundo ela, o Brasil está “na contramão” do mundo, com deflação de alimentos, enquanto a inflação global dispara por causa da guerra, do custo de fertilizantes e petróleo e das taxas dos Estados Unidos.
“O Brasil está tendo deflação de alimentos pelo terceiro mês consecutivo”, destacou.
Ela lembrou que, em 2023, a inflação de alimentos ficou abaixo da inflação geral; em 2024, o preço do arroz disparou por causa da enchente no Rio Grande do Sul; e em 2025 e 2026, o país voltou a registrar números positivos, com a deflação se consolidando.
O desmonte de Bolsonaro e o preço que o povo paga
Fernanda Machiaveli foi dura ao apontar o culpado pelo aperto no bolso do trabalhador. Para ela, todo o aumento dos preços dos alimentos aconteceu no governo Bolsonaro, que enfraqueceu brutalmente a política agrícola.
“Toda a política agrícola é enfraquecida brutalmente durante o governo dele, diminuindo a oferta. Deixa de existir um plano safra da agricultura familiar, que é quem produz os alimentos no mercado interno”, observou.
A ministra citou o fim do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e da política de formação de estoques, instrumentos essenciais para garantir renda ao pequeno agricultor e estabilidade nos preços. No lugar, a gestão anterior apostou em subvenções para os grandes produtores, em um momento de commodities supervalorizadas.
“Isso gerou um bem-estar para o produtor, mas um mal-estar para a população”, criticou.
O equilíbrio entre preço justo e comida acessível
A ministra defendeu o equilíbrio como o grande desafio da política agrícola: garantir preço justo para quem produz e preço acessível para quem consome. Se o produtor não tiver retorno, ele não planta na próxima safra, a oferta cai e o preço sobe. Como exemplo, ela citou o caso do café, que sofreu uma quebra de safra no ano passado e agora volta à normalidade.
Com as ações anunciadas, o governo Lula reafirma seu compromisso com a segurança alimentar e com a proteção dos mais vulneráveis, mostrando que, mesmo diante das adversidades climáticas e econômicas, a prioridade é garantir comida na mesa do povo brasileiro.
Perguntas frequentes sobre o impacto do El Niño nos preços dos alimentos
O que o governo está fazendo para evitar o aumento dos preços?
O governo comprou 190 mil toneladas de milho e antecipou a compra de arroz para reforçar os estoques e regular o mercado, evitando pressões nos preços de proteínas e grãos.
Quais regiões do Brasil serão mais afetadas pelo El Niño?
A região Sul deve sentir mais os efeitos na produção de trigo e arroz, enquanto o Nordeste pode sofrer com a estiagem, impactando a produção de milho e, consequentemente, o preço de leite, ovos e carne.
Por que os preços dos alimentos subiram tanto nos últimos anos?
Além do cenário internacional de alta inflação, a ministra atribui o aumento ao desmonte das políticas de apoio à agricultura familiar durante o governo Bolsonaro, que reduziu a oferta de alimentos no mercado interno.